A recente escalada das sanções dos EUA a Cuba representa um novo capítulo na histórica tensão entre Washington e Havana. Nessa quinta-feira (4), os Estados Unidos anunciaram medidas econômicas adicionais que visam setores-chave da economia cubana, como mineração e turismo, além de figuras proeminentes do governo da ilha, incluindo o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Essas ações buscam intensificar o bloqueio econômico e pressionar por uma mudança no regime cubano, um objetivo de longa data da política externa americana em relação ao país caribenho. As novas restrições se somam a centenas de outras impostas ao longo das décadas, com a intenção explícita de “estrangular economicamente” a nação insular, como reiterado por autoridades americanas.
A expansão das sanções dos EUA a Cuba
O Departamento do Tesouro dos EUA divulgou a inclusão de novas entidades na sua lista de sanções, um movimento que amplia o escopo da pressão econômica sobre Cuba. Entre as empresas afetadas, destaca-se a Amistur Cuba, uma importante empresa de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, uma joint venture estratégica. Esta última é formada pela empresa de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold, evidenciando o alcance das medidas sobre investimentos estrangeiros em Cuba. A decisão ressalta a intenção de Washington de impactar diretamente as fontes de receita do governo cubano, visando enfraecer sua capacidade financeira e operativa.
O que se sabe até agora sobre as sanções?
As recentes sanções dos EUA a Cuba incluem o bloqueio de bens e interesses em bens de entidades e indivíduos específicos, proibindo transações com cidadãos ou empresas americanas. Os alvos são setores cruciais como o turismo e a mineração, além de membros do alto escalão do governo cubano. O objetivo é criar um cenário de isolamento econômico, impactando a estabilidade política da ilha caribenha.
Os alvos específicos e a estratégia de Washington
Além das empresas, as sanções se estendem a um grupo de indivíduos ligados ao governo cubano. O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia sinalizado a postura agressiva de seu governo, alegando que Cuba desejava que a Casa Branca cuidasse da ilha, numa declaração a jornalistas, onde afirmou: “Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”. Esta retórica sublinha uma abordagem de intervenção e controle sobre a soberania cubana. As medidas foram além, alcançando familiares de figuras proeminentes.
O Departamento do Tesouro também sancionou diretamente o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, e seu filho, Manuel Anido Custa. A lista se expande para incluir outros funcionários e figuras políticas, como um filho e um neto do ex-presidente de Cuba, Raúl Castro: Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis, respectivamente. Outras entidades governamentais e civis que foram alvos dos EUA incluem o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba; o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP); e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR), instituições que desempenham papéis importantes na estrutura social e política cubana.
O secretário de Estado Marco Rubio, em comunicado nas redes sociais, reforçou a severidade das sanções, alertando que qualquer pessoa ou entidade que forneça serviços aos alvos designados corre o risco de também ser sancionada. “Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, afirmou Rubio, em uma clara advertência à comunidade internacional. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA detalhou a proibição, declarando que “todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”.
Quem está envolvido nas novas sanções?
Os principais envolvidos são o governo dos EUA, por meio do Departamento do Tesouro e OFAC, e o governo de Cuba, seus líderes e entidades estratégicas. A Amistur Cuba e a Minera la Victoria são as empresas mais recentes a serem adicionadas à lista. Individualmente, o presidente Miguel Díaz-Canel e sua família, além de parentes de Raúl Castro e outros funcionários ligados a Havana, são diretamente afetados. O impacto se estende a qualquer ator internacional que comercie com as entidades sancionadas.
Reações de Havana: resistência e denúncia
A resposta de Cuba às novas sanções tem sido de forte condenação e reafirmação de soberania. O presidente Miguel Díaz-Canel criticou as medidas unilaterais, classificando as falas do presidente Trump como uma ameaça direta ao país e acusando-as de “prejudicar o povo”. Em uma rede social, Díaz-Canel declarou que “A agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”. Esta postura reflete a longa história de resistência cubana frente às pressões externas.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também se manifestou, destacando que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções demonstra um “plano de intervenção” na ilha. Rodríguez enfatizou a união e determinação do povo cubano, afirmando que “Toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”. O chanceler cubano também desmentiu o secretário de Estado Marco Rubio, que havia declarado que o governo Trump não bloquearia a entrada de petróleo em Cuba. Rodríguez mencionou a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, elaborada por Rubio e assinada pelo Presidente, que autorizou a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente, expondo uma contradição na narrativa americana.
O bloqueio econômico: um histórico de pressões
As sanções dos EUA a Cuba são parte de um bloqueio econômico que já perdura por quase 70 anos. Essa política de isolamento foi endurecida significativamente pela administração da Casa Branca no final de 2025, especialmente a partir das restrições navais impostas à Venezuela, um importante parceiro comercial de Cuba. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos intensificaram essa pressão ao ameaçar sancionar qualquer entidade ou país que vendesse petróleo a Cuba. Essa medida teve consequências severas para a ilha caribenha de 11 milhões de habitantes, que, em determinado momento, ficou três meses sem receber uma gota de petróleo, um insumo vital para sua economia e infraestrutura.
Impactos diretos na população cubana
As medidas da Casa Branca e as contínuas sanções dos EUA a Cuba têm tido um impacto profundo e adverso na vida cotidiana dos cidadãos cubanos. O bloqueio resulta em escassez de produtos básicos, dificultando o acesso a alimentos, medicamentos e outros bens essenciais. Consequentemente, tem-se observado um aumento significativo dos apagões, que afetam residências e setores produtivos, além da elevação dos preços de produtos básicos, que comprometem o poder de compra da população. A redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar, subsidiada pelo Estado, são outras manifestações diretas dessa pressão econômica. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, este é o pior momento do país em termos de dificuldades econômicas e sociais, refletindo o agravamento das condições de vida sob o cerco econômico.
O que acontece a seguir com as sanções?
A continuidade das sanções dos EUA a Cuba sugere um cenário de persistente tensão e desafios econômicos para a ilha. Espera-se que Havana mantenha sua postura de resistência e busca por alternativas comerciais e diplomáticas. A comunidade internacional observará as repercussões humanitárias e as possíveis escaladas na retórica entre os dois países, enquanto Cuba tenta mitigar os efeitos das restrições e proteger sua população dos impactos mais severos. O futuro das relações bilaterais dependerá de mudanças nas políticas de ambos os lados e do contexto geopolítico mais amplo.
Navegando pela tormenta: a resiliência cubana sob pressão externa
A mais recente onda de sanções dos EUA a Cuba reafirma a persistência de uma política de pressão máxima que tem moldado a história da ilha por décadas. Ao mirar setores econômicos estratégicos e a liderança política, Washington busca acelerar uma mudança de regime, intensificando as dificuldades enfrentadas pela população cubana. A resposta de Havana, contudo, é de veemente condenação e reafirmação de soberania, sublinhando a determinação de resistir. Em um cenário de crescente isolamento e escassez, a capacidade de resiliência de Cuba e a busca por soluções inovadoras, tanto internas quanto no âmbito das relações internacionais, serão cruciais para a nação caribenha. A narrativa desse conflito se desenrola com profundas implicações humanitárias e geopolíticas, mantendo o mundo atento aos desdobramentos dessa complexa e prolongada disputa.





