Organização Pan-Americana da Saúde destaca circulação intensa da gripe K e outros vírus respiratórios, exigindo preparo dos serviços de saúde.
A gripe K, variante do vírus Influenza H3N2, é o foco de um novo alerta da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que prevê uma temporada de alta intensidade de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com potenciais picos de demanda hospitalar. A organização publicou o alerta epidemiológico recentemente, apontando para o início gradual do inverno na América do Sul e a crescente circulação do vírus A(H3N2) em alguns países da região.
O avanço da gripe K no Hemisfério Sul
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um comunicado detalhado sobre o início da temporada de vírus respiratórios mais intensos no Hemisfério Sul. A previsão é de predominância da gripe K, uma mutação específica do vírus Influenza H3N2. Esta variante, identificada no ano passado, foi o tipo dominante durante o inverno no Hemisfério Norte, e sua alta circulação é agora esperada na porção sul do globo. O alerta da Opas considera o cenário atual na América do Sul como “consistente com o início gradual da temporada de inverno”, mesmo com a atividade de Influenza ainda em patamares baixos.
O que se sabe até agora: A gripe K (subclado K do Influenza A(H3N2)) está se tornando o vírus predominante no Hemisfério Sul, seguindo um padrão observado no Hemisfério Norte. Embora não seja considerada mais grave, esta variante pode levar a temporadas de transmissão mais longas e intensa demanda por serviços hospitalares, o que exige atenção e preparo das autoridades de saúde.
Impacto no Brasil e a circulação viral
Quem está envolvido: A Opas atua como um órgão central na emissão de alertas e recomendações, enquanto os Ministérios da Saúde de cada país, incluindo o Ministério da Saúde no Brasil, são responsáveis pela implementação das medidas preventivas e de controle. A população é diretamente afetada, e os serviços de saúde desempenham um papel crucial na resposta.
No Brasil, a taxa de positividade para a Influenza, que mede a proporção de testes positivos para o vírus, manteve-se abaixo de 5% no primeiro trimestre do ano. Contudo, essa taxa começou a subir no final de março, atingindo 7,4%. A Opas ressalta a clara predominância da Influenza A(H3N2), com alta intensidade de circulação, especialmente do subclado K, responsável pela gripe K. O sequenciamento genético dos vírus, realizado por amostragem pelo Ministério da Saúde, confirmou que dos 607 testes analisados até meados de março, 72% corresponderam ao subclado K.
Ameaça combinada: Influenza, VSR e Covid-19
A preocupação das autoridades de saúde se estende para além da gripe K. A Opas também observou um aumento gradual na circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) em diversos países da região, incluindo o Brasil. Este movimento antecipa o padrão sazonal típico do VSR, com potencial de impactar significativamente a saúde de crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas. A soma desse cenário com os casos de Covid-19, que, embora em baixa, ainda ocorrem em número considerável, eleva o risco de esgotamento dos serviços de saúde, alertando para a necessidade de estratégias abrangentes de prevenção.
A vacinação como estratégia fundamental
Diante do aumento simultâneo de diferentes vírus respiratórios, a Opas enfatiza a urgência de intensificar as campanhas de vacinação em toda a região. O objetivo primordial é prevenir hospitalizações e óbitos, aliviando a pressão sobre os sistemas de saúde. A vacina contra a gripe se mostrou eficaz mesmo com o surgimento da gripe K no Hemisfério Norte, com uma eficácia de até 75% contra a hospitalização de crianças no Reino Unido, conforme dados do próprio alerta da organização.
No Brasil, a vacina da gripe é atualizada anualmente para proteger contra os tipos de vírus mais circulantes na temporada anterior do Hemisfério Norte. O imunizante disponibilizado neste ano já inclui a cepa H3N2, que engloba a gripe K. A campanha nacional de vacinação está em curso, priorizando grupos mais vulneráveis, como crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes e indivíduos com comorbidades, que possuem maior risco de desenvolver quadros graves da doença. Outros grupos prioritários incluem trabalhadores da saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade.
Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) para gestantes, com o intuito de proteger os recém-nascidos da bronquiolite, uma infecção pulmonar severa causada pelo VSR, que pode ser fatal.
Medidas de prevenção e higiene
Complementando as estratégias de vacinação, a Opas reforça a importância de práticas simples de higiene e “etiqueta respiratória”. Lavar as mãos frequentemente é apontado como a maneira mais eficaz de reduzir a transmissão de vírus respiratórios. Pessoas com febre devem evitar comparecer ao trabalho ou a locais públicos até que a febre ceda completamente. Da mesma forma, crianças em idade escolar que apresentem sintomas respiratórios, febre ou ambos devem permanecer em casa e não ir à escola, evitando a propagação do vírus em ambientes coletivos.
Resposta unificada diante da crescente pressão sobre a saúde pública
O que acontece a seguir: A Opas recomenda que os países do Hemisfério Sul se preparem para uma temporada de alta intensidade viral, com foco na capacidade de resposta dos serviços de saúde para lidar com picos de demanda. A intensificação da vacinação e a adesão às medidas de higiene serão cruciais para mitigar o impacto.
Uma nova edição do Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta semana, corrobora a avaliação da Opas. Dados coletados entre os dias 19 e 25 de abril indicam um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados tanto por Influenza A quanto por VSR em todas as regiões do país. De acordo com o boletim, um expressivo total de 24 das 27 unidades federativas do Brasil encontram-se em níveis de alerta, risco ou alto risco para a síndrome, que representa um agravamento das condições respiratórias. Este cenário reforça a necessidade de vigilância constante e de ação coordenada para proteger a saúde pública.





