Economia

Por que o Dólar supervaloriza no Brasil e desvaloriza no mundo

3 min leitura
Por que o Dólar supervaloriza no Brasil e desvaloriza no mundo
O real está tão sem valor que hoje 100,00 reais valem 17,57 dólares

O efeito negativo de Bolsonaro com a pandemia do coronavírus no mercado faz risco país disparar.

A decisão do Fed (banco central dos EUA) de imprimir dinheiro foi tomada para combater os efeitos da recessão econômica causada pela pandemia de covid-19.

Paralelamente, a taxa de juros foi reduzida e hoje está próxima de zero. Quando isso acontece, o país tende a ficar “menos atraente” aos olhos dos investidores estrangeiros, que tendem a buscar outros mercados com retornos maiores sobre seu capital.

Como resultado, o dólar perdeu valor ante as principais moedas do mundo menos para o real brasileiro.

Na verdade, a moeda brasileira se provou uma exceção, trilhando um caminho contrário às divisas de outros muitos países, inclusive emergentes: registrou forte desvalorização frente ao dólar no ano passado e recuperou-se um pouco nos últimos meses.

A série de gráficos a seguir, elaborados por Henrique Castro e Claudia Yoshinaga, professores da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da BBC News Brasil, mostra o comportamento do real frente ao dólar em três períodos diferentes, de 31 de janeiro de 2020 a 29 de janeiro de 2021, de 31 de julho de 2020 a 29 de janeiro de 2021 e, por fim, de 30 de outubro de 2020 a 29 de janeiro de 2021.

Como se pode observar, no primeiro período, de 31 de janeiro de 2020 a 29 de janeiro de 2021, ou seja, desde o início da pandemia do coronavírus, o real perdeu quase 22% de seu valor frente à moeda americana, deixando para trás o limite “psicológico” de R$ 4 por dólar. Foi o pior desempenho entre as 30 moedas mais negociadas do mundo mais o peso argentino.

Por que isso acontece?

O ‘descolamento’ do real das moedas de outros países, inclusive emergentes, se deu principalmente a questões internas, como risco fiscal e as incertezas sobre a trajetória da dívida pública brasileira, ao passo que as reformas prometidas pelo governo, não aconteceram.

O rombo nas contas do Tesouro foi de R$ 743 bilhões. Esse déficit ajudou a aumentar a dívida pública, que foi de 74,3% para 89,3% do PIB (Produto Interno Bruto, ou a soma dos bens e serviços produzidos por um país) em um ano.

E o governo precisará pagar 57% dessa fatura, de R$ 1,4 trilhão, até o 1º semestre deste ano.

E existe uma pessiama política sendo excutada nesse momento e tudo isso preocupa os investidores e impacta evidentemente no comportamento do real frente ao dólar, assinalam os especialistas.

Coronavírus

A pandemia do coronavírus (covid-19), mostrou ao mundo um poder de ingerencia do Brasil, o auxilio emergencial que beneficiou 67,9 milhões que receberam parcelas de R$ 600,00 e depois R$ 300,00 ao custo de R$ 293 bilhões e agora terá mais quatro parcelas de R$200,00 que impactará nos cofres públicos.

A falta de vacinação e o discurso desacreditado do Brasil para os investidosres promove uma fuga em massa de dinheiro.

na sexta-feira, 05/03, o dólar bateu os R$ 5,69 e na quarta-feira 03, a moeda americana bateu recorde chegando aos impressionantes R$ 5,75.

A fragilidade do dólar que não se aplica ao Brasil

A moeda americana está em colapso e deve cair 35% até o final do ano promovido por um déficit em conta corrente dos EUA, ou seja, o país paga mais no exterior pela troca de bens, serviços e transferências do que recebe.

Sua projeção é de que esse déficit continue a impulsionar a queda da moeda.

“A queda do dólar não deve ser exagerada”, escreveu Mark Sobel, presidente para os EUA do Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF), no início de janeiro no site do centro de estudos.

Falando sobre o Brasil, ele nota que “apesar das dificuldades que temos, a percepção é que vai se fazer o mínimo para solucionar esse problema (fiscal). Com isso, nossa taxa de câmbio pode se aproximar do que o fator externo sugere, uma taxa bem mais baixa”, diz o economista, ressalvando “que todo esse risco fiscal gera muita volatilidade”.

Impacto na vida dos brasileiros

O real desvalorizado tem impacto não apenas no bolso de quem quer ou precisa comprar dólares ou de quem adquire produtos importados.

A indústria nacional consome uma série de insumos importados, como é o caso do segmento eletrônico. E há uma série de itens cuja formação de preços acaba sendo influenciada pelas cotações internacionais, como é o caso dos combustíveis e das commodities em geral.

Vamos usar como exemplo a crise do arroz no Brasil que desvalorizou além da maior demanda internacional, que elevou os preços para aumentar a receita em reais de quem vende para fora.

Assim, o produtor às vezes prefere exportar do que vender no mercado interno. A menor disponibilidade no mercado interno, por sua vez, eleva o preço para a mesa do brasileiro.

A mesma lógica vale para o milho, para a soja, para o açúcar, isso explica porque os alimentos subiram tanto de preço nos últimos meses.

 

Contrate um dos serviços da krsites.com.br
Posts relacionados
Economia

Fim da escala 6x1 redefine jornada de trabalho no país

5 min leitura
O recente fim da escala 6×1, promulgado por emenda constitucional, marca uma transformação histórica nas relações de trabalho no Brasil. A medida,…
Economia

Dólar em alta: entenda a cautela do mercado

6 min leitura
O dólar registrou valorização significativa nesta quinta-feira, impulsionado por um cenário de cautela que permeou o mercado financeiro brasileiro. A moeda estadunidense…
Economia

Conab projeta alta na produção brasileira de grãos até 2027

4 min leitura
A produção brasileira de grãos está projetada para um avanço significativo, com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimando que a safra…
Assine a newsletters do CBL

Adicione seu e-mail e receba na sua caixa postar Breaking news, dicas e demais conteúdos direto da nossa redação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *