Tecnologia

Uso de IA nas empresas: crescimento marca 2026

6 min leitura

Dados da Luria revelam uma transformação acelerada na rotina de trabalho com a inteligência artificial, que dobrou sua presença em um ano e redefine a produtividade corporativa.

O uso de IA nas empresas brasileiras não apenas cresceu exponencialmente, mas também se consolidou como parte integrante do cotidiano corporativo em 2026. Levantamento da Luria, com base no uso agregado e anonimizado de sua plataforma por companhias clientes, aponta um aumento de 183% na base de usuários de inteligência artificial no trabalho entre janeiro e agosto, comparado ao mesmo período de 2025. Esse salto reflete uma mudança profunda na forma como a tecnologia é incorporada, deixando de ser uma ferramenta esporádica para se tornar um elemento central na jornada de trabalho, impactando setores como energia, farmacêutico, serviços financeiros e varejo.

A ascensão da inteligência artificial no ambiente corporativo

A inteligência artificial tem se integrado cada vez mais à rotina das companhias no Brasil, evidenciando uma transformação digital acelerada. Além do notável avanço no número de usuários, o volume mensal de consultas nas plataformas de IA também registrou um crescimento impressionante de 240% no período analisado. Esses indicadores sinalizam uma alteração significativa no comportamento dos colaboradores.

Para a Luria, estes dados confirmam que a IA deixou de ser acionada apenas em momentos muito específicos, passando a acompanhar uma parcela muito maior da jornada de trabalho. Este cenário reforça a percepção de que a adoção da tecnologia não é mais uma opção, mas uma necessidade estratégica para otimizar processos e impulsionar a inovação. A proliferação do uso de IA nas empresas aponta para um futuro onde a colaboração homem-máquina será ainda mais intrínseca.

Padrões de uso ao longo do expediente e da semana

Apesar do crescimento generalizado, a utilização da inteligência artificial não ocorre de forma uniforme durante o dia. Os principais picos de atividade são observados às 11h e 15h, com aproximadamente 11% das consultas diárias concentradas em cada um desses horários. A faixa da tarde, entre 14h e 18h, é a mais intensa, reunindo 41% do total de consultas realizadas. Em contrapartida, o período da manhã, das 9h às 12h, responde por 29%.

O horário de almoço demonstra uma redução notável no volume de interações, com uma queda pela metade entre 11h e 13h, só voltando a crescer por volta das 14h30. Em termos semanais, terça e quinta-feira são os dias de maior intensidade no uso da plataforma, sugerindo que o meio da semana é o período onde a necessidade de apoio tecnológico é mais elevada. As sextas-feiras, por sua vez, registram o menor volume entre os dias úteis.

Uma mudança no perfil de utilização e o início mais cedo da jornada com IA

A distribuição do uso também apresentou mudanças notáveis em relação a 2025. Naquele ano, 13,1% das consultas eram realizadas às 11h e 13,5% às 15h. Em 2026, esses índices caíram para 11,6% e 11,3%, respectivamente, indicando uma diluição dos picos de uso. As primeiras horas da manhã, que antes tinham menor engajamento, passaram a concentrar mais consultas.

Essa alteração sugere que a curva de utilização se tornou menos concentrada em horários específicos e começou mais cedo na jornada de trabalho. O levantamento ainda revela que metade das pessoas que utilizam a plataforma realiza três ou mais consultas em cada dia de uso, demonstrando uma integração mais profunda e constante da IA nas tarefas cotidianas. O uso de IA nas empresas está, portanto, se tornando mais granular e distribuído.

O que se sabe até agora sobre a adoção da IA: O **uso de IA nas empresas** brasileiras em 2026 registrou um crescimento robusto de 183% no número de usuários e 240% no volume de consultas. A tecnologia está se integrando mais cedo e de forma mais contínua na rotina de trabalho, com picos de uso às 11h e 15h e maior concentração na parte da tarde e meio da semana. A IA deixou de ser esporádica para ser uma ferramenta constante.

A dinâmica do crescimento: saltos e estabilidade na adoção

O avanço na utilização da inteligência artificial dentro do ambiente corporativo não ocorreu de maneira linear. Segundo os dados da Luria, houve um período de estabilidade em abril de 2026, que foi subsequentemente seguido por dois notáveis saltos de expansão, registrados nos meses de maio e agosto do mesmo ano. Esses momentos de aceleração indicam pontos de virada na estratégia de adoção ou no reconhecimento do valor da IA pelas empresas.

O levantamento da Luria compara dados coletados entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2026 com o mesmo período de 2025. A metodologia empregada considerou apenas usuários deduplicados de clientes ativos da plataforma, abrangendo as duas versões do produto e excluindo ambientes internos e contas corporativas da própria Luria para garantir a precisão dos resultados. A empresa assegura que nenhuma informação individual de empresas ou usuários foi empregada, focando exclusivamente no comportamento agregado dentro da plataforma.

É fundamental ressaltar que os dados apresentados representam o comportamento coletivo dentro da plataforma Luria e, portanto, não constituem uma pesquisa de mercado abrangente sobre a adoção da inteligência artificial no Brasil. Eles oferecem, contudo, um panorama detalhado de como o uso de IA nas empresas se desenvolve entre os clientes da companhia.

Quem está impulsionando a pesquisa e os setores envolvidos: O levantamento foi conduzido pela Luria, empresa de tecnologia que oferece uma plataforma de inteligência artificial para companhias de diversos segmentos. Os clientes que forneceram os dados anonimizados pertencem a setores vitais da economia, como energia, farmacêutico, serviços financeiros e varejo. Allan Miranda, CEO da Luria, é uma das vozes centrais na análise dos desafios da integração da IA.

Do piloto à integração: o desafio de escalar a inteligência artificial

O estudo também aprofunda a discussão sobre a diferença crucial entre simplesmente contratar ferramentas de inteligência artificial e efetivamente incorporá-las à rotina empresarial de forma escalável. Dados citados pela Luria, baseados na TIC Empresas 2025 do Cetic.br, mostram que metade das grandes empresas brasileiras já utilizava IA em 2025, indicando uma ampla experimentação inicial com a tecnologia.

No cenário global, o desafio da escalabilidade se torna ainda mais evidente. Quase nove em cada dez organizações afirmam empregar IA em alguma função, conforme o State of AI 2026 da McKinsey. Contudo, apenas 44% conseguiram expandir o uso da tecnologia para toda a empresa, e meros 6% são classificadas como organizações de alto desempenho nesse quesito. No Brasil, essa dificuldade se repete: dados da Deloitte revelam que apenas 23% das empresas conseguiram levar adiante pelo menos 40% dos projetos pilotos iniciados.

Esses números sublinham que, embora a adoção inicial seja crescente, a real integração e a obtenção de valor a longo prazo representam um gargalo significativo. O uso de IA nas empresas requer mais do que a aquisição de licenças; demanda uma reestruturação cultural e operacional para maximizar seu potencial.

O que acontece a seguir na jornada de integração da IA: O próximo passo para as empresas é transcender a fase de testes e pilotos, buscando a escalabilidade da inteligência artificial em toda a organização. O foco muda da simples utilização para a sustentabilidade do conhecimento gerado e a capacidade de reter a inteligência produzida pelas interações com a IA, garantindo que o investimento se traduza em valor duradouro e transformação efetiva.

Preservando a inteligência gerada: o futuro do conhecimento corporativo com IA

Para Allan Miranda, CEO da Luria, a questão central que diferencia as empresas hoje não reside na escolha do modelo de IA, que é algo transitório e muda a cada seis meses. Ele argumenta que o verdadeiro diferencial está em “o que fica na companhia quando o modelo troca ou quando a pessoa que faz as melhores análises muda de área ou até mesmo de empresa”. Esta perspectiva ressalta a importância de solidificar o conhecimento e os insights gerados pela inteligência artificial.

Segundo Miranda, quando as interações com a IA são tratadas apenas como conversas descartáveis, a empresa é forçada a recomeçar o processo de aprendizado a cada ciclo, perdendo valor acumulado. Por outro lado, o registro e a sistematização dessas interações poderiam, em sua avaliação, preservar dentro da organização a inteligência produzida durante o uso de IA nas empresas. Isso transforma dados e interações efêmeras em conhecimento institucional perene, criando uma base sólida para a evolução contínua e a inovação.

Transformando interações efêmeras em conhecimento duradouro

A ascensão da inteligência artificial no cenário corporativo brasileiro é inegável, com um crescimento expressivo de usuários e consultas. Contudo, a verdadeira fronteira para as empresas não é apenas a adoção, mas a capacidade de transformar as interações com a IA em um patrimônio de conhecimento. O desafio para os próximos anos será o de integrar a tecnologia de forma estratégica, garantindo que os insights e as eficiências geradas se traduzam em valor sustentável, remodelando a produtividade e a cultura organizacional de maneira definitiva.

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