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Terras raras e minerais críticos: foco presidencial 2026

7 min leitura

O futuro estratégico do Brasil em terras raras e minerais críticos torna-se um dos eixos centrais nas discussões dos candidatos à Presidência da República para as Eleições 2026. Diversas propostas, entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelam visões distintas sobre como o país deve explorar e industrializar esses recursos, cruciais para a tecnologia e a economia global. O debate ocorre diante da posição geopolítica privilegiada do Brasil, que detém vastas reservas, e da necessidade de transformar a exportação de matéria-prima bruta em valor agregado e soberania nacional.

Propostas de presidenciáveis para 2026 detalham o futuro do Brasil em recursos estratégicos.

A importância estratégica de terras raras e minerais críticos

Frequentemente confundidos, terras raras e minerais críticos são categorias distintas, mas igualmente estratégicas para a economia e a segurança de qualquer nação. As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos vitais, por exemplo, para a fabricação de ímãs de motores elétricos de alta eficiência e componentes essenciais da indústria de defesa. Sua importância reside na exclusividade de suas propriedades e na complexidade de sua obtenção.

Já os minerais críticos, por sua vez, são definidos pela alta relevância econômica e pelo risco de desabastecimento global. Esta categoria abrange elementos como lítio, níquel, cobre e potássio, fundamentais para setores que vão desde a produção de baterias e semicondutores até painéis solares e fertilizantes agrícolas. Em uma simplificação crucial para o entendimento do debate, todas as terras raras são, por natureza, minerais críticos, mas nem todos os minerais críticos pertencem ao grupo das terras raras.

A posição do Brasil neste cenário é notavelmente privilegiada. O país não só possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, como também vastas jazidas de outros minerais essenciais. Essa riqueza mineral impacta diretamente a capacidade de inovação e desenvolvimento tecnológico nacional, com reflexos na indústria de alta tecnologia, inteligência artificial e na produção de insumos para o agronegócio, garantindo a autossuficiência em áreas estratégicas.

O dilema da industrialização e soberania nacional

Historicamente, o Brasil tem se posicionado majoritariamente como exportador de matéria-prima bruta. No entanto, o crescente valor e a demanda global por tecnologias avançadas intensificam o debate sobre a necessidade de o país integrar as etapas mais complexas da cadeia de valor desses recursos. Este é o grande dilema político e econômico que permeia a discussão: transformar o potencial do subsolo em riqueza industrializada e soberania tecnológica.

A regulação do setor, o papel do Estado e a atração de capital privado tornam-se centrais. Os planos de governo dos candidatos dividem-se entre propostas que defendem uma maior indução estatal para exigir o refino interno e diretrizes que visam a desregulamentação para uma atração mais ágil de investimentos. Este cenário sublinha a oportunidade única de o Brasil transcender seu papel tradicional, garantindo que as terras raras e minerais críticos sirvam como alavanca para o desenvolvimento sustentável e inovador.

Propostas dos presidenciáveis para 2026

Diante da intensa disputa internacional por esses recursos estratégicos, os candidatos à Presidência da República nas Eleições 2026 apresentaram suas visões sobre o futuro da exploração e industrialização de terras raras e minerais críticos no Brasil. As propostas demonstram diferentes filosofias sobre o papel do Estado, a relação com o mercado externo e o fomento à tecnologia nacional.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O plano de governo do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, prioriza a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos. Essa política visa estruturar toda a cadeia produtiva sob forte coordenação estatal. A diretriz central é combater a exportação de minério bruto sem qualquer tipo de processamento, estabelecendo exigências claras para que o beneficiamento e o refino ocorram integralmente em solo nacional.

A pauta mineral é inserida na estratégia mais ampla de reindustrialização verde, com destaque para o Nordeste como um polo de plantas industriais, que seriam movidas por energias eólica e solar. O candidato defende o uso do poder de compra do Estado e a concessão de financiamentos, condicionados à transferência de tecnologia e à produção local de componentes, visando fortalecer a indústria nacional de terras raras e minerais críticos.

Flávio Bolsonaro (PL)

A proposta de Flávio Bolsonaro busca integrar a exploração mineral com a oferta de energia limpa, criando um ambiente propício para atrair indústrias de alta tecnologia e data centers. Seu plano estabelece o Estado prioritariamente como regulador, rejeitando a atuação governamental direta como ente produtor ou indutor excessivo. A estratégia foca na desburocratização dos processos, na agilidade dos licenciamentos ambientais e na atração maciça de investimento privado para o setor.

No âmbito da diplomacia comercial, o candidato defende parcerias internacionais de cooperação tecnológica, sem restrições ou preferências ideológicas, priorizando a eficiência e o acesso a mercados. Além disso, propõe a utilização estratégica das vastas reservas de fosfato e potássio do Brasil para expandir a produção nacional de fertilizantes, visando reduzir significativamente a dependência externa do agronegócio, um setor chave da economia.

Augusto Cury (AVANTE)

Augusto Cury estrutura suas propostas por meio do Projeto PETRA-BR, uma iniciativa ambiciosa focada em transformar as reservas minerais do país em capacidade industrial concreta. O plano prevê a criação de um Atlas Brasileiro de Minerais Críticos para realizar um mapeamento abrangente de todo o território nacional, identificando novas jazidas e otimizando a gestão das existentes. Para conter a exportação de matéria-prima bruta, ele propõe incentivos fiscais significativos para o refino interno e a criação de polos industriais especializados na fabricação de ímãs permanentes e outros produtos de alto valor agregado.

No campo regulatório, Cury defende que grandes contratos com empresas estrangeiras devem obrigatoriamente exigir a transferência de tecnologia e a instalação de centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. O plano também apoia ativamente a formação de especialistas e mão de obra qualificada no setor, visando construir um capital humano robusto para a nova indústria de terras raras e minerais críticos.

O que se sabe até agora sobre minerais estratégicos no Brasil

O Brasil possui um vasto potencial em reservas de terras raras e minerais críticos, essenciais para a transição energética e tecnológica global. Contudo, a maior parte dessa riqueza é exportada em sua forma bruta, resultando em menor valor agregado. O debate político centralizado nas Eleições 2026 foca na urgência de desenvolver a capacidade de processamento e industrialização desses insumos internamente.

Quem está moldando o futuro das riquezas minerais

Diversos atores estão envolvidos na discussão sobre terras raras e minerais críticos no Brasil. Além dos candidatos à Presidência, órgãos reguladores como o TSE, empresas de mineração nacionais e internacionais, e a comunidade científica desempenham papéis cruciais. O agronegócio também tem interesse direto, especialmente na garantia de suprimento de fertilizantes, dependente de minerais específicos.

Os próximos passos na corrida por recursos essenciais

O tema das terras raras e minerais críticos continuará a ganhar proeminência na agenda política brasileira até as Eleições 2026. A aprovação de novas leis, o incentivo à inovação e a busca por parcerias estratégicas serão determinantes. A capacidade do país de transformar suas reservas em produtos de alto valor agregado definirá sua posição no cenário global da transição energética e da segurança de cadeias de suprimentos.

Desafios e oportunidades na cadeia de valor

A transição de exportador de matéria-prima para polo industrializado em terras raras e minerais críticos impõe desafios complexos, mas abre inúmeras oportunidades. Entre os desafios, destacam-se a necessidade de investimentos massivos em infraestrutura para processamento e refino, a carência de tecnologia de ponta para algumas etapas da cadeia e a formação de mão de obra especializada. Além disso, questões ambientais e sociais ligadas à mineração exigem um planejamento rigoroso e sustentável para evitar impactos negativos nas comunidades e ecossistemas.

No entanto, as oportunidades são vastas. O desenvolvimento de uma cadeia de valor completa não só geraria milhares de empregos qualificados e promoveria o desenvolvimento regional, como também posicionaria o Brasil na vanguarda da economia verde. A diversificação da matriz produtiva, a redução da dependência de importações e a elevação do patamar tecnológico nacional são ganhos diretos de uma estratégia bem-sucedida para as terras raras e minerais críticos.

O papel do Brasil no cenário geopolítico global

A demanda global por terras raras e minerais críticos está em constante crescimento, impulsionada pela busca por energias renováveis, veículos elétricos e tecnologias digitais. Neste contexto, o Brasil, com suas abundantes reservas, emerge como um player geopolítico de extrema relevância. A forma como o país gerenciará seus recursos definirá sua influência nas cadeias de suprimento globais e sua capacidade de negociação no cenário internacional. Decisões futuras moldarão o papel do país na transição energética global.

Uma política robusta para terras raras e minerais críticos pode fortalecer alianças estratégicas e reduzir a vulnerabilidade do Brasil a choques externos. Ao garantir o fornecimento para seus parceiros e desenvolver sua própria indústria, o país pode consolidar sua posição como um fornecedor confiável e um centro de inovação tecnológica, aproveitando ao máximo seu potencial geológico.

Impactos econômicos e sociais das políticas propostas

As propostas apresentadas pelos candidatos para as terras raras e minerais críticos têm o potencial de gerar impactos econômicos e sociais profundos. Economicamente, o foco na industrialização pode significar um salto no Produto Interno Bruto (PIB) através da agregação de valor e da exportação de produtos manufaturados, em vez de apenas commodities. Isso atrai investimentos estrangeiros diretos e fomenta a inovação em diversos setores.

Do ponto de vista social, o desenvolvimento do setor criaria novas oportunidades de emprego, exigindo qualificação e educação, o que, por sua vez, impulsionaria o desenvolvimento humano. Contudo, é fundamental que essas políticas venham acompanhadas de rigorosas salvaguardas sociais e ambientais, assegurando que o progresso econômico seja inclusivo e sustentável, evitando conflitos e protegendo as comunidades locais e o meio ambiente.

Avançando para uma era de valorização das riquezas minerais

O Brasil se encontra em um momento decisivo para redefinir seu relacionamento com suas riquezas subterrâneas. As eleições de 2026 serão um palco crucial para a consolidação de visões que podem tanto perpetuar o modelo extrativista quanto impulsionar uma era de industrialização e soberania tecnológica. A escolha de um caminho para as terras raras e minerais críticos não é apenas uma decisão econômica, mas um pilar fundamental para o projeto de nação nas próximas décadas, com a capacidade de processar, refinar e industrializar esses insumos sendo central. A construção de uma agenda que valorize o conhecimento, a inovação e o beneficiamento interno é essencial para que o país possa, de fato, colher os frutos de seu potencial geológico e assegurar um futuro próspero e estratégico.

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