A histórica redução de malária no Brasil é um marco na saúde pública nacional, impulsionada significativamente pela introdução de um novo medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O país registrou uma queda sem precedentes nas mortes e nos casos mais graves da doença, alcançando índices não vistos em quase cinco décadas. Esta conquista ressalta a eficácia das políticas de saúde e a importância do acesso a tratamentos inovadores para combater enfermidades endêmicas.
Os dados recentes, divulgados pelo Ministério da Saúde, confirmam que o Brasil obteve uma redução substancial, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacando o impacto positivo das estratégias adotadas. A notícia foi revelada durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília, reafirmando o compromisso do país na luta contra a malária e outras doenças tropicais. A oferta ampliada de diagnóstico e tratamento adequado, aliada à incorporação de novas terapias, consolida uma abordagem robusta e multifacetada para a proteção da população, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Conquista histórica no combate à malária
O Brasil testemunhou uma notável diminuição nos indicadores de malária, com os óbitos pela doença caindo em **30%** no período comparado, passando de 56 mortes em 2024 para 39 em 2025. Paralelamente, os casos da forma mais severa da enfermidade apresentaram um recuo ainda maior, de **30,7%**. Em termos de registros totais, foram contabilizados **118.037** casos contraídos no território nacional em 2025, o que representa uma diminuição de **15%** em relação ao ano de 2024 e o menor número desde 1978.
Essa performance coloca o Brasil em uma posição de destaque no cenário global de combate à malária. O ministro Alexandre Padilha enfatizou a relevância desses resultados, afirmando que o país “chegou à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história”. Essa expressiva melhora é atribuída diretamente à implementação de novas estratégias de tratamento, com foco na oferta da tafenoquina pelo SUS, além do reforço nas ações de diagnóstico e tratamento em diversas regiões do país.
Tafenoquina: o novo aliado do SUS
A tafenoquina, um medicamento inovador, tem sido o pilar dessa transformação. Incorporada ao Sistema Único de Saúde em 2023, inicialmente para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso a partir de 35 quilos, a droga é administrada em dose única, oferecendo uma ação prolongada que previne novas manifestações da malária. O Ministério da Saúde considera a tafenoquina um dos avanços mais significativos nos tratamentos disponíveis, devido à sua capacidade de evitar recaídas e, consequentemente, reduzir a carga da doença.
Até junho de 2026, mais de **33,7 mil** pessoas já haviam recebido tratamento com tafenoquina. O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a incorporar este medicamento para o tratamento da malária, demonstrando liderança e compromisso com a inovação em saúde pública. A distribuição estratégica do medicamento, em conjunto com a ampliação dos testes e o tratamento adequado, tem sido fundamental para os resultados observados, marcando um novo capítulo na história da redução de malária no Brasil.
O que se sabe sobre a redução da malária?
A redução de malária no Brasil é um fato comprovado por uma série de dados, incluindo a queda de 30% nos óbitos e de 30,7% nos casos graves. A oferta da tafenoquina pelo SUS desde 2023, aliada à ampliação do diagnóstico e tratamento, é a principal causa dessa conquista histórica. Os números indicam o menor patamar de casos em 47 anos.
Impacto transformador em terras indígenas
Um dos focos cruciais da ação de combate à malária foi nas terras indígenas e assentamentos rurais na região amazônica, áreas com alta incidência da doença. O ministro Padilha ressaltou que, em 2025, houve uma redução de mais de 40% nesses locais. No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, 1.515 pessoas foram tratadas com tafenoquina, resultando em uma queda de **61,9%** nas recaídas de malária entre março e junho de 2026, comparado ao mesmo período de 2025.
No território Yanomami, os casos de malária diminuíram 55% entre janeiro e julho, passando de 17 mil para 7,6 mil, em comparação com o ano anterior. A intervenção nessa área foi um exemplo de sucesso, com o ministro destacando a interrupção de um “verdadeiro genocídio” naquele povo. Além da tafenoquina, a recuperação nutricional da população Yanomami contribuiu para a redução de mais de 50% nos casos e mais de 70% nos óbitos por malária, evidenciando uma abordagem integrada de saúde pública.
Quem está envolvido na conquista?
O Ministério da Saúde, por meio do SUS, é o principal agente. A equipe de saúde, profissionais dedicados e, claro, os pacientes adultos, crianças e comunidades indígenas, especialmente do DSEI Yanomami, são os beneficiados e parceiros essenciais na implementação das estratégias. A cooperação entre diferentes setores é vital.
Ampliação do acesso e tratamento pediátrico
Reconhecendo a vulnerabilidade das crianças, a tafenoquina teve sua formulação expandida para o tratamento pediátrico a partir de março de 2026. Agora, crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos podem receber o medicamento. Até junho do mesmo ano, 1.446 crianças e adolescentes já haviam se beneficiado desse tratamento em todo o país, demonstrando o compromisso do SUS em proteger todas as faixas etárias e garantir um futuro mais saudável para as novas gerações, solidificando ainda mais a redução de malária no Brasil.
Outros desafios da saúde pública: o caso do sarampo
Além do sucesso na redução de malária no Brasil, o ministro Padilha também abordou outras frentes da saúde pública, como o reforço na vacinação contra o sarampo. O Brasil tem intensificado os esforços após o registro de 38 casos importados da doença, identificados em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. Essa vigilância constante e as campanhas de imunização são cruciais para manter o status de país livre de sarampo, certificado recuperado em 2024. Mesmo com os casos importados em 2025, o certificado não foi perdido devido à alta cobertura vacinal.
Em 2019, o Brasil havia perdido o certificado de país livre de sarampo devido à falta de ações de controle, resultando em um surto com cerca de 20 mil registros em cidades como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. Atualmente, nessas cidades, a faixa etária para vacinação foi ampliada, abrangendo pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal. Mais de 70 mil pessoas foram vacinadas somente na cidade de São Paulo. Os casos importados apresentaram cepas que circularam nos Estados Unidos e no Canadá, países que, junto com o México, são responsáveis por mais de 75% dos casos de sarampo no continente americano desde 2025, o que exige atenção contínua e estratégias de contenção.
Qual o cenário futuro para o controle da malária no país?
O futuro do controle da malária no Brasil exige a manutenção e ampliação das estratégias atuais. A vigilância epidemiológica contínua, a expansão da oferta da tafenoquina para todas as populações elegíveis e o investimento em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para consolidar a redução de malária no Brasil e avançar em direção à sua eliminação, enfrentando os desafios persistentes em regiões endêmicas.
Horizonte de eliminação e a manutenção da vigilância
A conquista da redução de malária no Brasil representa mais do que uma estatística; é um testemunho do potencial transformador da saúde pública quando aliada à inovação e ao compromisso social. Os resultados obtidos com a tafenoquina no SUS e as ações conjuntas de diagnóstico e tratamento estabelecem um novo patamar para o combate à doença. Embora os números sejam animadores e o horizonte da eliminação da malária pareça mais próximo, a vigilância deve ser constante. As lições aprendidas com a reintrodução de doenças como o sarampo reforçam a importância de não baixar a guarda. A continuidade dos investimentos em pesquisa, o fortalecimento do SUS e a garantia de acesso universal a tratamentos e prevenção serão fundamentais para que o Brasil não apenas mantenha essa conquista, mas siga avançando rumo a um futuro livre da malária, protegendo as populaçoes mais vulneráveis e consolidando seu papel de liderança em saúde global.





