Empresas brasileiras em Portugal podem encontrar um novo e estratégico portal para o mercado europeu, conforme declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (21), durante sua visita a Lisboa. O mandatário defendeu uma integração econômica mais profunda, visando especialmente a atuação de companhias nacionais em território português, em um movimento que precede a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio. A iniciativa sinaliza um esforço para fortalecer os laços econômicos e geopolíticos entre Brasil e a União Europeia, utilizando Portugal como um hub privilegiado.
Primeiros passos de uma parceria estratégica
A agenda do presidente Lula em Lisboa foi marcada por importantes encontros diplomáticos. Ele se reuniu pela primeira vez com o presidente português, António José Seguro, empossado em 9 de março. O encontro ocorreu no histórico Palácio Nacional de Belém. Posteriormente, Lula almoçou com o primeiro-ministro Luís Montenegro no Palácio São Bento, onde as discussões se aprofundaram sobre a cooperação bilateral e as perspectivas de negócios. O presidente brasileiro sublinhou a necessidade de replicar modelos de sucesso, como o da Embraer, para incentivar a presença de mais empresas brasileiras em Portugal.
A Embraer, com seu parque industrial em Évora desde 2012, foi destacada como um exemplo primordial de investimento bem-sucedido e colaboração produtiva. “A gente pode repetir vários acontecimentos, como a Embraer, aqui em Portugal. A Embraer é a demonstração mais bem-sucedida de uma empresa brasileira que está aqui ajudando a construir coisas em Portugal”, afirmou Lula, dirigindo-se ao primeiro-ministro. Essa retórica visa inspirar outras companhias a explorarem o potencial de Portugal como porta de entrada para o competitivo mercado da Europa.
O que se sabe até agora
O presidente Lula defendeu a ampliação da presença de empresas brasileiras em Portugal, posicionando o país europeu como um ponto estratégico para o acesso ao mercado da União Europeia. A declaração foi feita em Lisboa, durante encontros com as mais altas autoridades portuguesas, incluindo o presidente e o primeiro-ministro. A medida busca reforçar a integração econômica bilateral e aproveitar as oportunidades geradas pelo vindouro Acordo Mercosul-UE.
Cenário do comércio bilateral e investimentos
A corrente de comércio entre Brasil e Portugal demonstra um volume expressivo de transações. Em 2025, o valor total em exportações e importações atingiu a marca de US$ 4,5 bilhões. Neste intercâmbio, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 2 bilhões, o que reforça a relevância estratégica da relação econômica. Essa balança favorável destaca o potencial de crescimento para diversas indústrias e a capacidade de exportação brasileira.
Além da proeminente indústria aeronáutica, outras empresas brasileiras têm consolidado investimentos significativos em Portugal. Setores como siderurgia e máquinas e equipamentos são exemplos claros dessa expansão. Por sua vez, Portugal contribui notavelmente para o abastecimento brasileiro, principalmente no fornecimento de petróleo e gás, e também com investimentos em infraestrutura e no setor elétrico. Essa simbiose econômica cria um ambiente propício para que mais empresas brasileiras em Portugal busquem oportunidades e parcerias.
Quem está envolvido
Os principais atores são os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e António José Seguro, além do primeiro-ministro Luís Montenegro. Empresas e investidores de ambos os países, especialmente nos setores de aviação, siderurgia, máquinas, petróleo, gás e energia, também estão diretamente envolvidos. Adicionalmente, as comunidades brasileira e portuguesa em seus respectivos países são parte integrante deste diálogo diplomático e econômico.
Diálogo sobre imigração e fluxos populacionais
A visita de Lula também abordou a significativa presença da comunidade brasileira em Portugal, um tema de grande relevância social e econômica. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, destacou o papel fundamental dos brasileiros que escolheram Portugal. Ele afirmou que “os brasileiros que procuram Portugal, que neste momento são mais de 500 mil, têm vindo para trabalhar, para desenvolver os seus projetos de vida, e têm tido uma integração social e econômica absolutamente impecável”.
Montenegro reconheceu que, apesar da integração bem-sucedida, houve incidentes isolados envolvendo brasileiros em território português. No entanto, ele os classificou como situações pontuais, minimizando a ocorrência de problemas sistêmicos. “Isto não significa que não possa ter havido, aqui ou ‘acolá’, um foco de perturbação”, ponderou. O contingente de brasileiros em Portugal é substancialmente maior que o de lusitanos no Brasil, que soma 104 mil, segundo o Censo 2022 do IBGE, representando o segundo maior grupo de estrangeiros no país sul-americano.
Paralelamente aos encontros oficiais, manifestantes brasileiros e portugueses se reuniram em frente ao Palácio de Belém. Houve concentrações tanto a favor quanto contra o presidente Lula, com a presença de grades e fitas da polícia para delimitar os espaços. Segundo a Rádio e Televisão de Portugal (RTP), não foram registrados confrontos, garantindo a ordem pública durante as manifestações. O episódio demonstra a diversidade de opiniões e a liberdade de expressão em um contexto de intensa diplomacia.
O que acontece a seguir
A expectativa é de que o Acordo Mercosul-UE, ao entrar em vigor, impulsione ainda mais as trocas comerciais e o investimento. Isso deve abrir novas avenidas para as empresas brasileiras em Portugal. O diálogo sobre migração e integração social provavelmente continuará, buscando fortalecer as relações diplomáticas e assegurar o bem-estar das comunidades em ambos os países. A diplomacia segue atenta aos desdobramentos dessas parcerias estratégicas.
Horizonte de parcerias e os desafios da diplomacia
A passagem de Lula por Portugal, em 21 de abril, ocorreu no Dia de Tiradentes, um feriado que lembra o mártir da Inconfidência Mineira, símbolo da luta por liberdade e Independência do Brasil, ex-colônia de Portugal. A escolha da data, embora simbólica, reforça a complexidade histórica das relações luso-brasileiras, agora redefinidas por laços econômicos e culturais mais intensos. Esta visita a Lisboa encerra uma série de compromissos internacionais do presidente.
Antes de Portugal, Lula esteve na Espanha, em 17 e 18 de abril, onde participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha e da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre. Em seguida, entre 19 e 20 de abril, visitou a Alemanha, participando da Feira Industrial de Hannover, do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível. Essas viagens reforçam a agenda de projeção externa do Brasil, buscando parcerias e investimentos que beneficiem, entre outros, a expansão de empresas brasileiras em Portugal e na Europa. O presidente Lula deverá retornar ao Brasil ainda nesta noite, após escala na Ilha do Sal, em Cabo Verde, com previsão de chegada à Base Aérea de Brasília por volta das 23h50.





