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Cancelamento de visto de procurador boliviano: EUA e Bolívia divergem

7 min leitura

Os Estados Unidos, recentemente, revogaram o visto de **26 autoridades e empresários latino-americanos** de países como Peru, Colômbia, Equador e Bolívia. Entre os nomes impactados por esta decisão está o do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, figura central na investigação contra o argentino Fernando Cerimedo. O cancelamento de visto de procurador boliviano, Roger Mariaca, gerou forte repercussão e levantou questões sobre a soberania e as relações diplomáticas entre as nações, especialmente considerando o papel de Cerimedo como operador digital para líderes políticos alinhados a Donald Trump na América Latina.

A medida de Washington recai sobre Mariaca em um momento crucial. Ele lidera apurações contra Cerimedo, que enfrenta acusações sérias de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira Nadia Beller, além de suspeitas de tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. A decisão dos EUA sublinha a complexidade das interconexões políticas e jurídicas na região, colocando em xeque a autonomia de investigações nacionais diante de pressões internacionais.

O impacto da decisão americana e a defesa boliviana

O procurador-geral Roger Mariaca, eleito pelo parlamento boliviano em **2024** para um mandato de **seis anos**, reagiu com veemência à restrição imposta pelos Estados Unidos. Em declaração, ele classificou a medida como uma flagrante violação à soberania de seu país. Mariaca explicitamente vinculou o caso ao andamento das investigações sobre Fernando Cerimedo, sugerindo que a ação dos EUA pode estar relacionada às implicações transnacionais do inquérito.

“Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou o procurador. Ele reiterou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”, reforçando o compromisso da Bolívia com a apuração dos fatos, independentemente de ingerências externas.

O que se sabe até agora

Os Estados Unidos cancelaram vistos de 26 personalidades latino-americanas, incluindo o procurador-geral boliviano Roger Mariaca. A justificativa oficial, via Departamento de Estado, menciona “envolvimento em corrupção significativa” e “solicitação e aceitação de subornos” para favorecer o narcotráfico. Mariaca, por sua vez, nega as acusações, classificando a medida como uma violação da soberania boliviana e relacionando-a às suas investigações sobre Fernando Cerimedo.

A figura controversa de fernando cerimedo

Fernando Cerimedo é uma figura de destaque no cenário político digital da América Latina, conhecido por sua atuação como assessor de campanha de presidentes como o argentino Javier Milei e o boliviano Rodrigo Paz no ambiente online. Sua notoriedade se amplificou no Brasil em 2022, quando participou de uma transmissão ao vivo após o segundo turno das eleições presidenciais, propagando, sem qualquer evidência, a tese de fraude nas urnas eletrônicas.

Apelidado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan de Donald Trump “Make America Great Again”, Cerimedo é investigado por operar uma vasta rede digital para políticos de direita na região. A polícia boliviana, durante as apurações, descobriu uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado. Este local era supostamente utilizado para mobilizar robôs em redes sociais, influenciando debates e narrativas políticas de forma artificial.

As acusações contra Cerimedo vão além de suas operações digitais, englobando crimes graves como tentativa de feminicídio contra Nadia Beller e a investigação por supostos crimes de tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. Seu envolvimento em diferentes esferas de delitos complexifica a situação e intensifica a necessidade de um inquérito rigoroso, que o cancelamento de visto de procurador boliviano coloca em destaque.

Quem está envolvido

Os principais envolvidos são o Departamento de Estado dos EUA, que aplicou as sanções, e o procurador-geral boliviano Roger Mariaca, diretamente afetado. Fernando Cerimedo é o pivô da investigação de Mariaca e um elemento catalisador da tensão. O governo boliviano, representado pelo ministro da Defesa Ernesto Justiniano e pelo porta-voz presidencial Fernando Aramayo Carrasco, também está ativamente envolvido na resposta diplomática e legal.

A justificativa de washington e as contra-acusações

O Departamento de Estado dos EUA, conforme citado na reportagem original, liderado pelo secretário Marco Rubio, defendeu o cancelamento dos vistos como uma ação estratégica para fortalecer o “Escudo das Américas”. Esta iniciativa, promovida durante a administração Trump em parceria com aliados latino-americanos, tem como propósito declarado o combate aos cartéis de drogas na região. A lista de atingidos pela medida é heterogênea, incluindo empresários, juízes, ex-ministros de Estado, advogados, policiais e seus familiares, sob acusações de corrupção ou narcotráfico, muitas vezes sem a apresentação de provas concretas.

Um comunicado oficial do Departamento de Estado explicitou a política: “Essa política restringe vistos para estrangeiros – e seus familiares imediatos – que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”. No que concerne especificamente a Mariaca, o governo dos EUA o acusou de ter o visto cancelado por seu **“envolvimento em corrupção significativa”**.

As acusações contra o procurador-geral boliviano foram bastante diretas e graves: “[Mariaca] abusou de seus cargos públicos ao **solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça**”, declarou o Departamento estadunidense, sem contudo detalhar ou apresentar as provas que embasariam tais alegações. Esta falta de transparência na apresentação das evidências é um ponto de discórdia para o governo boliviano e para o próprio Mariaca.

Repercussão no governo boliviano

Em resposta às severas acusações, o procurador-geral Roger Mariaca reafirmou que as decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, não irão pautar ou condicionar as investigações conduzidas pelas instituições bolivianas. Ele enfatizou a importância da transparência e do direito da população boliviana em conhecer a verdade sobre as denúncias apresentadas.

“O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”, rebateu Mariaca, indicando que a pauta interna de investigações é vasta e não será desviada por pressões internacionais. Este posicionamento reforça a visão de que o cancelamento de visto de procurador boliviano é percebido como uma tentativa de interferência.

O que acontece a seguir

O governo boliviano de Rodrigo Paz anunciou que buscará informações detalhadas junto à administração dos EUA sobre as acusações contra Mariaca antes de iniciar qualquer investigação interna. Esta etapa diplomática é crucial para entender a profundidade das alegações. A Bolívia expressou disposição para colaborar com as investigações, mantendo a postura de defesa da soberania e autonomia das suas instituições jurídicas. A expectativa é de um diálogo diplomático inicial para esclarecimentos.

O governo do presidente Rodrigo Paz já sinalizou que pedirá informações adicionais ao governo Donald Trump a respeito das acusações dos EUA antes de dar início a qualquer investigação interna. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, declarou que “as declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a **máxima seriedade**”, indicando a gravidade com que a questão é tratada em La Paz.

O porta-voz da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, complementou a posição oficial, afirmando que o governo local responderá às decisões soberanas dos EUA sobre o cancelamento de vistos. “Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana”, garantiu Carrasco, reiterando o compromisso com a justiça e a colaboração internacional, mas dentro dos limites da soberania nacional.

As ligações de cerimedo com a política americana

A conexão de Fernando Cerimedo com o círculo político americano se aprofunda com eventos como o ocorrido em fevereiro de **2026**. Nesta ocasião, o marketeiro digital foi agraciado com o prêmio de **“consultor político hispânico do ano”** pela organização Latino Wall Street. A cerimônia de entrega foi realizada na residência do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida, consolidando sua imagem como uma figura influente no ambiente conservador americano e latino-americano.

O prêmio foi entregue a Cerimedo pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial. Este fato reforça a rede de contatos e influências que Cerimedo construiu, especialmente entre figuras políticas de ideologia alinhada à direita conservadora. A premiação em um evento de tal relevância e o endosso de personalidades como Donald Trump e Eduardo Bolsonaro dão uma dimensão maior ao seu papel nas disputas políticas regionais e à relevância das investigações que o envolvem, cujo desdobramento é observado de perto após o cancelamento de visto de procurador boliviano.

O futuro das investigações e a tensão diplomática crescente

A tensão diplomática entre Estados Unidos e Bolívia, catalisada pelo cancelamento de visto de procurador boliviano, tem potencial para gerar ondas de impacto significativas nas relações bilaterais e na cooperação regional contra o crime. A insistência de Mariaca na autonomia das investigações, em contraste com as acusações não detalhadas de Washington, aponta para um impasse que demandará cautela e habilidade diplomática de ambos os lados.

Enquanto a Bolívia se prepara para solicitar mais informações e possibly iniciar uma apuração interna sobre as alegações contra seu procurador-geral, o caso Cerimedo continua a ser um ponto sensível. A complexidade das acusações contra o operador digital – de crimes comuns a interferência política – e suas conexões internacionais tornam o cenário ainda mais intrincado. O desfecho desta situação poderá redefinir a dinâmica de combate à corrupção e ao narcotráfico na América Latina, e a forma como a soberania nacional é percebida em investigações com repercussões globais.

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