O Cruzeiro na Libertadores Feminina estreou com uma vitória desafiadora. A equipe mineira enfrentou a LDU em Quito, capital equatoriana, superando não apenas o adversário, mas também os 2.850 metros de altitude que prometem ser um fator decisivo nesta edição do torneio continental. Com um placar de 2 a 1, as Cabulosas garantiram os primeiros três pontos, assumindo a liderança isolada do Grupo C em um confronto marcado pela superação física e tática.
A expectativa em torno do desempenho dos clubes brasileiros em condições de altitude era grande. A cidade de Quito, com sua elevação considerável, impôs um ritmo distinto ao jogo, exigindo das atletas uma adaptação rápida e uma gestão de energia meticulosa. O Estádio Casa Blanca foi o palco onde a garra cruzeirense se fez notar desde os primeiros minutos, mas a intensidade cobraria seu preço ao longo da partida.
Primeiro tempo: Intensidade e desgaste
Logo aos nove minutos do primeiro tempo, o Cruzeiro fez valer sua superioridade técnica inicial. A atacante Byanca Brasil cobrou uma falta com precisão, quase da meia-lua, mirando o ângulo direito da meta equatoriana. A goleira Liceth Suárez chegou a tocar na bola, desviando-a para o travessão, mas no rebote, a lateral Gisseli demonstrou oportunismo. Antecipando-se à marcação adversária, Gisseli empurrou a bola para o fundo das redes, abrindo o placar para as mineiras.
A euforia inicial, no entanto, deu lugar ao desgaste físico que a altitude impõe. Antes mesmo do intervalo, as expressões das jogadoras do Cruzeiro já revelavam a dificuldade em respirar e a exaustão acumulada. A LDU, acostumada às condições locais, começou a ditar o ritmo do jogo, pressionando a defesa celeste e criando oportunidades de gol. A goleira Camila Rodrigues foi exigida em pelo menos duas defesas importantes, mantendo o resultado até certo ponto.
Aos 34 minutos, a LDU conseguiu o empate. Após um chute da meia Maylin Arreaga, que acertou o travessão, a lateral Justine Cuadra aproveitou a sobra na marca do pênalti e finalizou com maestria no canto esquerdo de Camila Rodrigues. Pouco depois, Milagro Barahona chegou a balançar as redes de cabeça, mas o gol foi anulado pelo árbitro de vídeo, que identificou a saída da bola pela linha lateral antes do cruzamento decisivo. Um alívio para o Cruzeiro.
Segundo tempo: Estratégia e resiliência azul
A volta do intervalo não alterou o cenário de pressão da LDU. As equatorianas continuavam a acelerar as jogadas, enquanto as Cabulosas, visivelmente desgastadas, buscavam diminuir o ritmo e manter a posse de bola. A estratégia definida era explorar os contra-ataques, confiando na velocidade de Vanessinha e na habilidade individual de Byanca Brasil. Esta tática se mostraria eficaz e crucial para a definição do resultado.
Aos 18 minutos da segunda etapa, a estratégia funcionou perfeitamente. Marília, artilheira do Cruzeiro na temporada e peça fundamental no meio-campo, foi acionada e lançou Byanca Brasil pela esquerda. A camisa 10, com sua característica explosão, disparou às costas da defensora Cuadra, invadiu a área e finalizou com frieza na saída da goleira Suárez. O gol recolocou as mineiras na dianteira do placar e renovou a esperança da vitória.
O restante do jogo transformou-se em uma verdadeira prova de resistência e inteligência tática para o Cruzeiro. As atletas mostraram determinação para segurar a vantagem, mesmo com o cansaço visível. A vitória por 2 a 1 na estreia foi um marco para a equipe, que inicia sua jornada na Libertadores Feminina como líder do Grupo C. Este resultado é fundamental para as ambições do clube na competição, oferecendo um bom começo em um grupo desafiador.
Panorama do grupo e próximos desafios
Mais cedo, no mesmo Estádio Casa Blanca, Bolívar (Bolívia) e Olimpia (Paraguai) haviam empatado por 2 a 2, cada um somando um ponto. Com a vitória, o Cruzeiro se isolou na ponta do Grupo C com 3 pontos, deixando LDU na lanterna, ainda sem pontuar. Esta configuração inicial dá ao time mineiro uma vantagem psicológica e posicional importante para as próximas rodadas.
O próximo adversário do Cruzeiro será o Bolívar, em um duelo que promete ser ainda mais desafiador. Apesar de não ser outra equipe anfitriã, o Bolívar tem a vantagem de jogar em seu país, que também possui cidades de alta altitude. O confronto será nesta segunda-feira (19), às 17h (horário de Brasília), novamente no Estádio Casa Blanca, em Quito. No entanto, o fator altitude é ainda mais pronunciado em La Paz, capital boliviana e sede do Bolívar, que está a 3.650 metros acima do nível do mar, um desafio para uma eventual semifinal.
Outras equipes brasileiras e o desafio da altitude
O Palmeiras, outro representante brasileiro na Libertadores Feminina, também terá pela frente uma equipe de Quito. Na terceira e última rodada do Grupo B, as Palestrinas enfrentarão o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle, no Estádio Banco Guayaquil. O jogo está agendado para a próxima quarta-feira (21), às 21h, representando mais um teste contra um adversário acostumado à altitude da capital equatoriana.
O Verdão, contudo, pode chegar a este confronto já classificado para as quartas de final, o que permitiria ao técnico poupar atletas para as fases decisivas. Para isso, o Palmeiras precisa vencer seu duelo contra o Belgrano (Argentina) neste domingo (18), às 17h, no mesmo estádio. A estratégia de gestão de elenco e adaptação às condições climáticas e geográficas será fundamental para o sucesso das equipes brasileiras na competição.
A edição da Libertadores Feminina neste ano se destaca não apenas pelo nível técnico das equipes, mas também pelos obstáculos geográficos. A altitude, embora um fator comum em competições sul-americanas, ganha protagonismo no futebol feminino, exigindo das atletas uma preparação física e mental ainda mais rigorosa. A capacidade de superação será um diferencial crucial para as equipes que almejam o título.
O que se sabe até agora:
O Cruzeiro conquistou uma importante vitória por 2 a 1 sobre a LDU em sua estreia na Libertadores Feminina, realizada no Estádio Casa Blanca, em Quito. O resultado coloca a equipe brasileira na liderança do Grupo C. A partida foi intensamente disputada, com o Cruzeiro demonstrando resiliência frente aos desafios da altitude equatoriana, abrindo o placar e selando a vitória no segundo tempo, após um período de grande pressão adversária.
O que acontece a seguir:
O Cruzeiro enfrentará o Bolívar (Bolívia) nesta segunda-feira (19). Este será um teste ainda mais rigoroso devido à origem do adversário em regiões de alta altitude, embora o jogo ocorra em Quito. A equipe buscará consolidar sua liderança no Grupo C e se aproximar da classificação para a próxima fase. O resultado deste confronto será determinante para as aspirações do time celeste no torneio.
Desafios que se elevam: A rota do Cruzeiro rumo à glória
A vitória do Cruzeiro em Quito é mais do que um resultado; é uma declaração de intenções. Em um torneio onde cada detalhe, da tática ao condicionamento físico, pode ser decisivo, a capacidade de superar a altitude e um adversário aguerrido mostra a força e a determinação do elenco. A jornada da Libertadores Feminina está apenas começando, e a equipe mineira já demonstrou que está pronta para enfrentar os desafios, por mais altos que sejam, mirando um lugar de destaque no cenário continental.





