O **comércio cresce** 0,5% no Brasil entre fevereiro e março, impulsionado pela queda do dólar, conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana. Este desempenho marca a terceira alta consecutiva do setor e estabelece um novo recorde de patamar, beneficiando principalmente a venda de produtos importados e contribuindo para a dinâmica econômica nacional. A valorização do real frente à moeda americana é apontada como fator central.
Na comparação com março do ano passado, o volume de vendas do comércio varejista avançou significativos **4%**, demonstrando uma recuperação robusta. No acumulado de 12 meses, a expansão totaliza **1,8%**, consolidando uma trajetória positiva para o setor. Esses números indicam não apenas uma melhora momentânea, mas uma tendência de crescimento consistente que desafia cenários macroeconômicos complexos.
Contexto e detalhes do desempenho recorde
O avanço de 0,5% na passagem de fevereiro para março reflete um momento de otimismo para o varejo brasileiro, que alcança seu ponto mais alto na série histórica da pesquisa. Esse patamar recorde não é meramente um pico isolado, mas a culminância de uma sequência de resultados positivos. A desvalorização do dólar, ao tornar produtos importados mais acessíveis, desempenhou um papel crucial neste cenário, estimulando o consumo em diversas categorias.
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE é uma ferramenta essencial para monitorar a saúde do varejo, abrangendo diferentes atividades e fornecendo um panorama detalhado da movimentação econômica. Os dados de março confirmam as expectativas de recuperação em setores específicos, ao mesmo tempo em que sinalizam áreas que ainda enfrentam desafios. O balanço geral, no entanto, é de um setor em expansão e que demonstra resiliência.
Impacto da desvalorização do dólar nas vendas
A queda da cotação do dólar foi um dos principais propulsores para que o comércio crescesse. Segundo Cristiano Santos, analista da pesquisa, a moeda americana a um valor médio de **R$ 5,23** em março – significativamente menor que os R$ 5,75 registrados um ano antes – favoreceu a importação e a oferta de produtos com preços mais competitivos. Empresas aproveitaram a conjuntura para recompor estoques, posteriormente realizando promoções que atraíram consumidores.
Este fenômeno é particularmente visível em segmentos que dependem fortemente de componentes e produtos importados. A acessibilidade a itens como equipamentos de informática, por exemplo, aumentou, traduzindo-se em maior volume de vendas. A sensibilidade do comércio a variações cambiais é um fator bem conhecido, e o período analisado evidenciou essa relação de forma positiva para o mercado interno.
O que se sabe até agora
O comércio varejista brasileiro registrou seu maior patamar histórico em março, com um crescimento de **0,5%** em relação a fevereiro e **4%** na comparação anual. Este desempenho é atribuído em grande parte à queda do dólar, que barateou produtos importados e estimulou as vendas. A pesquisa do IBGE aponta uma recuperação em diversas atividades, embora algumas ainda mostrem desafios.
Análise por atividades: destaques e variações
Dos oito grupos de atividades pesquisados pelo IBGE, **cinco** registraram alta na comparação mensal. O destaque ficou para “Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação”, com um crescimento expressivo de **5,7%**. Este resultado, como explicado pelo analista Cristiano Santos, está diretamente ligado à desvalorização do dólar, que tornou os itens de tecnologia mais acessíveis para o consumidor final e para as empresas que buscam renovar seu parque tecnológico.
Outras atividades que apresentaram avanço foram “Combustíveis e lubrificantes”, com **2,9%**, impulsionada por uma demanda que se manteve forte mesmo diante do aumento dos preços; “Outros artigos de uso pessoal e doméstico”, também com **2,9%** de alta; “Livros, jornais, revistas e papelaria”, com **0,7%**; e “Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria”, com uma leve alta de **0,1%**. O segmento de “Tecidos, vestuário e calçados” permaneceu estável.
Quem está envolvido
O IBGE, por meio de sua Pesquisa Mensal de Comércio, é o principal responsável pela divulgação desses dados. Analistas como Cristiano Santos fornecem as interpretações e o contexto dos resultados. Consumidores, empresas varejistas, importadores e o mercado cambial são os agentes centrais envolvidos nas flutuações e no crescimento do setor.
Desafios em hipermercados e o cenário do atacado
Apesar do cenário positivo geral para o **comércio cresce**, algumas atividades enfrentaram dificuldades. O grupo de “Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo”, que representa mais da metade do setor de comércio, registrou um recuo de **1,4%**. O analista Cristiano Santos apontou a inflação como um fator que desestimulou o consumo neste segmento. Contudo, ele pondera que este resultado negativo não indica uma trajetória de regressão, considerando que a atividade cresceu 0,3% em janeiro e 1,4% em fevereiro, mostrando uma volatilidade que merece análise contínua.
No comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado – como veículos, motos, partes e peças; material de construção; e produtos alimentícios, bebidas e fumo – o indicador subiu **0,3%** de fevereiro para março. No acumulado de 12 meses, este setor mais abrangente também demonstrou um crescimento de **0,2%**, indicando uma estabilidade e leve avanço mesmo em um escopo mais amplo que inclui grandes volumes de transações entre empresas e não apenas o consumidor final.
O que acontece a seguir
Espera-se que o cenário cambial continue influenciando o comércio. Acompanhamento dos índices de inflação e das taxas de juros será crucial para prever o comportamento do consumo em supermercados e outros segmentos. O IBGE seguirá divulgando dados mensais, fornecendo atualizações importantes para o mercado e para a formulação de políticas econômicas.
O legado de um mercado em ascensão e as perspectivas futuras
A sequência de três altas consecutivas e o novo recorde de patamar sinalizam uma fase promissora para o comércio brasileiro. Embora desafios persistam, especialmente em segmentos sensíveis à inflação, a capacidade de adaptação do setor e a influência de fatores externos favoráveis, como a estabilização ou queda do dólar, criam um ambiente propício para a manutenção do crescimento. O analista Cristiano Santos ressalta que, desde outubro de 2025 (sic), o setor apresenta uma tendência de alta que não foi apagada por resultados pontuais negativos, como o de dezembro.
As políticas econômicas e o poder de compra da população continuarão sendo determinantes para consolidar essa recuperação. A expectativa é que o **comércio cresce** de forma sustentada, contribuindo para a geração de empregos e o dinamismo da economia nacional. Monitorar os próximos relatórios do IBGE será fundamental para entender a continuidade e a amplitude desse movimento.





