Economia

Diretor jurídico do BRB renuncia em meio a crise do Banco Master

4 min leitura

Acompanhe os detalhes da saída de um executivo-chave em um momento de turbulência para a instituição bancária.

A renúncia diretor jurídico BRB, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, foi oficializada na segunda-feira (9) pelo Banco de Brasília (BRB), com efeitos a partir do próximo sábado (14), conforme fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esta decisão ocorre em meio a um cenário de intensa investigação e repercussão sobre as controversas operações da instituição financeira com o Banco Master, recentemente liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

A saída do diretor e o compromisso do BRB

A comunicação do BRB ressalta o compromisso do banco com a ética, responsabilidade e transparência. Ademais, a instituição assegurou que manterá acionistas e o mercado informados sobre quaisquer fatos relevantes. Entretanto, a nota não detalhou as razões específicas que levaram à renúncia do executivo. Similarmente, o banco ainda não anunciou quem assumirá a Diretoria Jurídica em caráter definitivo ou interino, deixando uma lacuna na liderança da área.

Jacques Veloso havia sido nomeado para o cargo de diretor Jurídico em agosto de 2024. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o indicou para cumprir o restante de um mandato iniciado em 2022, após a saída do titular anterior. Ele assumiu formalmente a função em dezembro daquele ano, já integrando a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria.

Paralelamente, o BRB anunciou outra mudança em sua cúpula. Nesta mesma segunda-feira (9), Ana Paula Teixeira tomou posse como nova diretora executiva de Controles e Riscos. O banco destacou sua sólida trajetória no setor financeiro. Ela atuou como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil. Esta nomeação busca fortalecer a governança corporativa e a integridade institucional do BRB.

O contexto do caso Banco Master

A renúncia de Veloso e as demais alterações na diretoria acontecem após investigações apontarem operações supostamente irregulares entre o BRB e o Banco Master. Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito do Master. O valor total dessas aquisições atingiu R$ 12,2 bilhões. As apurações indicam que essas carteiras eram compostas por ativos superfaturados ou, em alguns casos, inexistentes.

Em 2025, o BRB havia manifestado a intenção de adquirir o controle do Banco Master. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a operação em junho daquele ano. No entanto, o Banco Central rejeitou-a em setembro. Pouco tempo depois, o próprio Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, precipitando uma crise de grandes proporções.

Quem está envolvido nas operações BRB-Master? As investigações alcançam diversos executivos e ex-executivos de ambas as instituições, bem como órgãos reguladores. O BRB, como instituição pública, enfrenta escrutínio rigoroso. Por outro lado, o Banco Master e seus antigos gestores também estão sob avaliação, especialmente após sua liquidação extrajudicial.

Impacto financeiro e pareceres controversos

De acordo com depoimento prestado à Polícia Federal no fim de 2025, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou um rombo substancial. As operações com o Banco Master teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB. Este montante representa um desafio significativo para a saúde financeira do banco público e sua necessidade de recomposição de capital.

A renúncia de Jacques Veloso ocorre após a revelação de um parecer jurídico. O site Metrópoles divulgou o documento, assinado pelo próprio Veloso. Neste parecer, ele teria alertado sobre os riscos inerentes às operações entre o BRB e o Banco Master. O então diretor jurídico sublinhou a relevância da observância dos índices de liquidez e de Basileia, essenciais para a solidez e estabilidade do sistema financeiro. Tal alerta, no entanto, contrasta com ações posteriores.

O que se sabe até agora sobre os alertas? Existe um parecer técnico assinado por Jacques Veloso, o diretor jurídico renunciante, apontando riscos nas operações com o Banco Master. Contudo, Veloso também gravou um vídeo interno defendendo a aquisição do Master pelo BRB. Este vídeo, enviado a servidores, garantia que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados”, criando um cenário de informações conflitantes.

Apesar do alerta técnico em seu parecer, Veloso gravou um vídeo interno que gerou controvérsia. Na gravação, ele defendeu a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. O vídeo foi enviado a servidores da instituição após o anúncio da negociação. Nele, Veloso afirmou que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados” para que a operação seguisse os trâmites legais e normativos aplicáveis ao banco público. Os vídeos, que reuniram depoimentos de executivos de diferentes áreas do BRB, buscavam enfatizar supostas “vantagens técnicas” da aquisição. No entanto, o Banco Central barrou a operação, e a Polícia Federal abriu uma investigação subsequente.

Medidas de recomposição e próximos passos

Para conter a crise de credibilidade e reforçar sua liquidez, o BRB agiu prontamente. O banco apresentou ao Banco Central, na sexta-feira (6), um plano de capital detalhado. Este plano inclui medidas estratégicas para recompor o patrimônio da instituição em até 180 dias. As estimativas do Banco Central indicam que o aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões para estabilizar a situação.

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, detém aproximadamente 72% do capital. Consequentemente, acompanha a situação com grande atenção. O presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, entregou o plano pessoalmente em uma reunião na sede do Banco Central, em Brasília, demonstrando a seriedade e urgência da situação.

O que acontece a seguir? O BRB precisará implementar seu plano de recomposição de capital e aguardar a avaliação e aprovação do Banco Central. Além disso, a nomeação de um novo diretor jurídico é um passo crucial para a estabilização da instituição. Simultaneamente, as investigações sobre as operações com o Banco Master continuarão, podendo gerar novos desdobramentos e exigindo transparência contínua por parte do BRB.

A situação atual do BRB exige vigilância e ações decisivas. A renúncia de seu diretor jurídico marca um ponto importante na crise desencadeada pelo caso Banco Master. Espera-se que o plano de recomposição de capital e a continuidade das investigações tragam maior clareza e estabilidade. O mercado e os acionistas aguardam a nomeação de um substituto e os próximos desdobramentos para entender completamente o futuro da instituição financeira.

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