O acordo Apple Intel chips, que prevê a fabricação de semicondutores para dispositivos da gigante de Cupertino pela empresa estadunidense, foi concretizado de forma preliminar, conforme fontes familiarizadas com as negociações revelaram ao The Wall Street Journal. Esta parceria estratégica marca um ponto de virada significativo para ambas as companhias e para a indústria de semicondutores dos Estados Unidos, refletindo meses de conversas intensas e a intervenção de figuras políticas de alto escalão.
As discussões entre a Apple e a Intel, que se estenderam por mais de um ano, culminaram em um pacto formal nos últimos meses, indicaram as mesmas fontes. A possibilidade de uma colaboração já havia sido antecipada pela Bloomberg em relatórios anteriores. A expectativa é que este movimento reconfigure a dinâmica da cadeia de suprimentos da Apple e fortaleça a posição da Intel como produtora de fundição, um setor crucial para a segurança e inovação tecnológica do país.
Detalhes da aproximação e o papel do governo
Ainda não foi especificado quais produtos da Apple receberão os chips fabricados pela Intel. A Apple, conhecida por seu ecossistema robusto, comercializa anualmente mais de 200 milhões de iPhones, além de milhões de iPads e computadores Mac. A magnitude dessas vendas sublinha a relevância de qualquer acordo de fornecimento de componentes.
Representantes de ambas as empresas optaram por não comentar o assunto quando procurados pelo Journal, mantendo o habitual sigilo em negociações estratégicas dessa envergadura. Contudo, os bastidores revelam uma teia complexa de interesses comerciais e geopolíticos que pavimentaram o caminho para este acordo Apple Intel chips.
A Intel opera em duas frentes principais: o desenvolvimento de chips e a fabricação de semicondutores. Esta última é realizada por meio de sua unidade Intel Foundry, que atende tanto a projetos internos quanto a clientes externos. Ambas as divisões enfrentavam um desempenho aquém das expectativas por anos antes da chegada de Lip-Bu Tan ao comando da companhia, que assumiu com a missão de revitalizar os negócios.
O governo do então presidente Donald Trump teve um papel fundamental na aproximação entre Apple e Intel. Em um período recente, sua administração fechou um acordo para converter cerca de **US$ 9 bilhões** em subsídios federais em ações da Intel, garantindo ao governo estadunidense uma participação de **10%** na fabricante de chips. Este investimento foi crucial para capitalizar e apoiar a empresa.
O que se sabe até agora
A Apple e a Intel selaram um acordo preliminar para a produção de chips da Apple pela Intel Foundry. As conversas, que se estenderam por mais de um ano, resultaram em um pacto formal recentemente, conforme reportado por fontes próximas às negociações. Esta colaboração ainda não detalha os produtos específicos da Apple que utilizarão os novos chips, mas representa um movimento estratégico importante para ambas as empresas no setor de semicondutores.
Quem está envolvido
Os principais envolvidos são a Apple e a Intel. O governo estadunidense, sob a administração de Donald Trump, desempenhou um papel significativo na mediação e estímulo à parceria. O então Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, realizou diversas reuniões com executivos-chave, incluindo Tim Cook da Apple, Elon Musk e Jensen Huang da Nvidia, para fomentar a colaboração com a Intel. Além disso, executivos da Intel como Lip-Bu Tan são centrais no processo.
O que acontece a seguir
O próximo passo envolve a implementação e escalonamento da produção de chips pela Intel para a Apple. Este acordo tende a diversificar a cadeia de suprimentos da Apple, reduzindo sua dependência de um único fornecedor e fortalecendo a capacidade de fabricação doméstica de semicondutores. Para a Intel, representa um avanço significativo em sua estratégia de revitalização da divisão de fundição, impulsionando sua competitividade e capacidade tecnológica no mercado global.
Estratégia e recuperação da Intel
A recuperação da Intel vem sendo um processo meticuloso. Ao longo da última década, a empresa havia perdido terreno para concorrentes de peso como a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) e a Samsung. Essa perda de mercado foi atribuída a uma série de falhas técnicas, frequentes mudanças de liderança e tentativas de consolidação que não obtiveram sucesso, resultando na diminuição ou encerramento de contratos de clientes externos com sua divisão de fundição.
A contratação de Lip-Bu Tan em **março de 2025** para substituir o então CEO Pat Gelsinger marcou o início de uma nova fase. Inicialmente, Trump manifestou preocupação com os laços do executivo com a China, chegando a solicitar sua saída. Contudo, Tan conseguiu angariar o apoio do presidente, e logo depois o governo anunciou a aquisição da participação de 10% na empresa, o que gerou uma forte valorização das ações da Intel.
Tan tem promovido mudanças profundas na alta liderança da Intel, incluindo a contratação de Wei-Jen Lo, um ex-executivo da TSMC, movimento que motivou uma ação judicial da empresa taiwanesa. Ele também substituiu o chefe da divisão de produtos e trouxe novos executivos para liderar as áreas de processadores para data centers, computação para clientes e uma inédita divisão de chips personalizados.
Além disso, a Intel intensificou os investimentos em seu processo mais avançado de fabricação, conhecido como **14A**. Fontes próximas às negociações indicam que o próprio presidente Trump defendeu pessoalmente a Intel em conversa com Tim Cook durante uma reunião na Casa Branca, ressaltando o interesse governamental no sucesso da companhia.
“Eu gosto da Intel”, afirmou Trump em janeiro. O então presidente declarou que o governo havia ganhado “dezenas de bilhões de dólares” com o acordo envolvendo a companhia e salientou que o apoio federal foi crucial para atrair parceiros estratégicos. “Assim que nós entramos, a Apple entrou, a Nvidia entrou, muitas pessoas inteligentes entraram”, declarou Trump, ressaltando o efeito dominó da intervenção governamental.
Novas alianças estratégicas e o futuro da produção de chips
O acordo Apple Intel chips se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento da Intel Foundry. A Nvidia, a maior fabricante de chips do mundo, já havia investido **US$ 5 bilhões** (R$ 24,5 bilhões) na Intel em um período recente. As duas empresas anunciaram uma parceria para que a Intel produza CPUs personalizadas destinadas aos data centers da Nvidia, expandindo o portfólio de clientes da fundição.
Em outro movimento estratégico, Elon Musk e a Intel também anunciaram planos para a construção de uma fábrica de chips no Texas (EUA), dentro do ambicioso projeto Terafab. Esta iniciativa visa à produção de semicondutores essenciais para as empresas de Musk, incluindo Tesla, xAI e SpaceX, solidificando a presença da Intel em segmentos de alta tecnologia e crescimento acelerado.
Atualmente, a Apple depende amplamente da TSMC para a fabricação dos chips que desenvolve para iPhones, iPads, Macs e outros dispositivos. A empresa de Cupertino tem enfrentado crescente pressão para diversificar sua cadeia de fornecedores, uma demanda que se tornou mais evidente nas últimas conferências de resultados financeiros, onde Tim Cook atribuiu a dificuldade em atender à demanda à concentração de fornecimento. O acordo Apple Intel chips representa um passo concreto nessa direção de mitigação de riscos e expansão da resiliência da cadeia de suprimentos.
Impacto na cadeia de suprimentos global
A formalização do acordo Apple Intel chips não apenas beneficia as duas empresas, mas também sinaliza uma mudança potencial na dinâmica da indústria global de semicondutores. Ao reduzir a dependência de fornecedores asiáticos, a Apple contribui para a segurança e autonomia tecnológica dos Estados Unidos. Para a Intel, significa um novo impulso para sua divisão de fundição, que busca recuperar a liderança e a confiança do mercado. Esta aliança pode inspirar outras empresas a reverem suas estratégias de fabricação, promovendo uma reconfiguração da cadeia de suprimentos e fomentando a inovação dentro das fronteiras nacionais.





