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Impasse na formação de governo em Israel persiste

4 min leitura

A oposição em Israel enfrenta um dilema complexo para formar maioria e afastar Benjamin Netanyahu, dependendo criticamente de partidos árabes.

Um complexo cenário político impede a formação de governo em Israel após a recente apuração eleitoral, que não designou um vencedor claro. A oposição ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu encontra-se em um impasse crítico, onde a conquista da maioria parlamentar depende diretamente de uma aliança com partidos árabes. Esta dependência estratégica ocorre em meio a profundas divisões ideológicas e manifestações de resistência à colaboração entre grupos judeus e árabes, definindo um período de incerteza para o futuro da liderança nacional.

Contexto eleitoral e o novo Knesset

A Comissão Eleitoral Central de Israel divulgou, recentemente, os resultados definitivos para a composição do Knesset, o Parlamento israelense, que possui 120 cadeiras. Para que um governo seja efetivamente formado, são necessários, no mínimo, 61 parlamentares. A apuração revelou um cenário fragmentado, sem uma coalizão com maioria automática. O partido Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, emergiu como o mais votado, assegurando 27 cadeiras com 20% do total de votos. Contudo, o bloco pró-Netanyahu alcançou apenas 53 cadeiras, oito a menos do que o necessário para a governabilidade.

O que se sabe até agora: A apuração final das urnas no Knesset revelou que nem a coalizão de Netanyahu, nem a oposição, alcançaram as 61 cadeiras necessárias para formar governo. O Likud obteve 27 cadeiras, e o bloco pró-Netanyahu, 53. A oposição somou 67, mas 19 pertencem a partidos árabes, um número crucial para qualquer maioria.

O dilema da oposição e a influência árabe

Em contraste, as siglas que compõem a oposição somaram 67 cadeiras. No entanto, 19 desses assentos são ocupados por partidos árabes, especificamente o Raam e a Lista Conjunta, que representam a população palestino-israelense, um grupo que constitui cerca de 21% dos cidadãos de Israel. Os partidos judeus israelenses que se opõem a Netanyahu obtiveram 48 deputados. O desafio reside no fato de que as legendas de oposição mais votadas, como o Yashar, de Gadi Eisenkot, com 21 cadeiras, e o B’Yachad, com 12 deputados, manifestaram-se contra a formação de um governo que inclua a participação de palestinos que residem em Israel. Essa postura cria um obstáculo significativo para a construção de uma maioria coesa.

Análise do impasse na formação de governo em Israel

Este impasse favorece a permanência de Netanyahu no poder, uma vez que ele permanece como primeiro-ministro interino enquanto um acordo para a formação de uma nova maioria não é selado. Shajar Goldwaser, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Conflitos (GECI) da PUC de São Paulo, salienta a complexidade da situação. “Alguma promessa vai ter que ser descumprida para sair desse imbróglio porque a oposição prometeu duas coisas: que não iria fazer governo com Netanyahu e que não iria fazer governo com os partidos árabes”, comentou. A situação revela a profunda polarização e as dificuldades em conciliar os interesses diversos dentro do espectro político israelense.

Quem está envolvido: Benjamin Netanyahu e seu partido Likud, a oposição com partidos como Yashar, de Gadi Eisenkot, e B’Yachad, e os partidos árabes Raam e Lista Conjunta, são os principais atores. Especialistas como Shajar Goldwaser também fornecem análises críticas sobre as dinâmicas e tensões subjacentes a este processo.

Atores e movimentações no cenário atual

A complexidade da formação de governo em Israel é ainda mais acentuada pelas propostas de “unidade nacional”. A emissora N12 News de Israel noticiou que um dos partidos da oposição, o Yisrael Beytenu, liderado por Avigdor Liberman, já estaria propondo um governo de “unidade nacional” com Netanyahu. O objetivo seria impedir, precisamente, a formação de uma coalizão com os partidos palestino-israelenses. O partido de Liberman conquistou sete cadeiras no Knesset. Caso essa união se concretize, faltaria apenas uma cadeira para o atual primeiro-ministro garantir sua permanência no poder. Netanyahu, por sua vez, tem alegado, sem apresentar provas, que a Turquia e o Catar teriam exercido influência na votação dos palestino-israelenses, que registraram uma participação histórica nas urnas, superando 80%. O primeiro-ministro acusa o pleito de “fraude” e defende a proibição da formação de governo com esses partidos.

O que acontece a seguir: As negociações para a formação de governo em Israel estão intensas, com a oposição diante da difícil escolha de aliar-se a partidos árabes, contrariando promessas, ou manter Netanyahu no poder. Paralelamente, a possibilidade de um governo de unidade com o próprio Netanyahu ou, em cenário extremo, uma escalada militar externa, é debatida como desfecho para o impasse.

Repercussões da crise e a sombra da guerra

Gadi Eisenkot, líder do partido de oposição mais votado, acusou o Likud e Netanyahu de orquestrarem uma campanha para deslegitimar os resultados eleitorais. “Eles fazem isso porque perderam. Carecem de maioria”, afirmou Eisenkot, que também reiterou a promessa de estabelecer uma comissão para investigar o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A oposição sugere que Netanyahu teria tido conhecimento prévio do plano do Hamas e não agiu para impedir o ataque. O especialista Shajar Goldwaser ainda apontou a possibilidade de Netanyahu recorrer a uma guerra contra o Irã para se manter no poder. “Uma guerra contra o Irã agora é muito propícia a formar um governo de união nacional. Netanyahu já fez isso no passado. Ele é famoso por fazer guerras para interesses eleitorais”, concluiu o especialista. Esse contexto eleitoral ocorre após os ataques do Hamas que resultaram em 1,2 mil mortes e cerca de 200 reféns, e a subsequente operação militar israelense em Gaza, que causou a morte de mais de 75 mil pessoas e a destruição massiva da infraestrutura civil, gerando acusações internacionais de genocídio.

Caminhos desafiadores para a estabilidade política em Israel

O cenário político em Israel permanece em ebulição, com cada movimento estratégico redefinindo as alianças e o futuro da liderança. A complexidade da formação de governo em Israel, intrinsecamente ligada às tensões internas e externas, exige dos líderes uma reavaliação de suas posições e promessas. A necessidade de uma maioria funcional se choca com profundas divisões ideológicas, que podem tanto impulsionar a inovação política quanto perpetuar a instabilidade. As próximas semanas serão decisivas para determinar se Israel conseguirá forjar uma coalizão capaz de governar ou se o impasse levará a novas eleições ou a um rearranjo político imprevisível, com consequências diretas para a sociedade israelense e a estabilidade regional.

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