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Voto na ONU contra bloqueio econômico a Cuba revela pressão e divisão global

4 min leitura

Nesta semana, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução crucial contra o bloqueio econômico a Cuba, imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. A celebração do resultado, liderada pelo embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, ocorre mesmo diante do placar mais desfavorável ao país caribenho em 30 anos, refletindo uma complexa dinâmica geopolítica e a intensa pressão diplomática exercida.

O diplomata ressaltou a importância do apoio da maioria da comunidade internacional, apesar das alegadas novas práticas de “fascismo” e “chantagens” por parte dos EUA, que estariam impondo “guerras econômicas e tarifas” a nações menores. Para Palomo, a manutenção desse respaldo representa uma grande vitória para o povo cubano em um cenário mundial de crescentes desafios.

Dinâmica da votação na Assembleia Geral

A resolução foi aprovada recentemente com 130 votos favoráveis, um número que inclui o Brasil. Contudo, 17 países votaram contra a proposta, e houve 25 abstenções. Este resultado marca o menor apoio já registrado para o fim do bloqueio em três décadas, historicamente somando mais de 190 votos a favor em anos anteriores. A redução significativa de votos favoráveis e o aumento das abstenções e votos contrários demonstram uma mudança perceptível no cenário diplomático.

A campanha do governo de Donald Trump é apontada como um fator central para essa mudança. Em um contraste notável, em 2024, apenas dois países, Israel e EUA, votaram contra a proposta. Neste ano, a lista dos que se opuseram à condenação do bloqueio econômico a Cuba expandiu-se, incluindo nações como Argentina, Colômbia, Hungria, Paraguai e Ucrânia, além de outros aliados dos Estados Unidos. Adicionalmente, países da América Latina, como Chile, Honduras, e Peru, que historicamente apoiavam Cuba, abstiveram-se, evidenciando uma reconfiguração nas alianças regionais.

Impacto humano das sanções e dados críticos

Recebendo a Agência Brasil, o embaixador Palomo reiterou a ilegalidade do bloqueio econômico a Cuba sob o direito internacional, enfatizando o seu grave custo humano. Ele relembrou que a política de Washington resultou na morte de mais de 1,5 mil crianças em Cuba devido à falta de acesso a medicamentos essenciais e a combustível necessário para incubadoras de bebês prematuros ou com baixo peso. O diplomata frisou que essas não são meras estatísticas, mas vidas impactadas diretamente pelas restrições.

O endurecimento do bloqueio pelo governo Trump entre os anos de 2025 e 2026 é projetado para agravar drasticamente a situação. Nesse período, a mortalidade infantil na ilha, que estava em 4,4 bebês mortos a cada mil nascimentos, poderia dobrar para 9,9. Este dado alarmante sublinha a preocupação com as futuras implicações das sanções sobre a população mais vulnerável, revelando uma crise humanitária que se aprofunda.

Perspectiva de Cuba sobre o cerco econômico

O embaixador cubano Victor Manuel Cairo Palomo argumenta que o bloqueio econômico a Cuba transcende uma questão local, tornando-se um problema de relevância global. “É um tema que tem que ver com o mundo porque hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, justificou ele, colocando a situação da ilha como um precedente perigoso para a soberania de outras nações.

Palomo também discorreu sobre a nova doutrina de Donald Trump para a América Latina, que visa restringir as relações comerciais e diplomáticas dos países da região com a China. Essa postura, segundo o embaixador, reflete a crença dos EUA de que devem controlar os destinos da América Latina e do Caribe, impondo sua visão de “paz pela força” e se posicionando como os “donos de tudo” no cenário internacional.

O diplomata detalhou como as sanções dos EUA prejudicam a população cubana, citando as chamadas sanções secundárias. Estas medidas punem empresas de outros países que ousem comercializar com Cuba, elevando os custos de produtos essenciais para a ilha. Palomo ilustrou o impacto com a situação de mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba, que estariam parados em portos globais, com transportadoras temerosas de represálias americanas caso entreguem a carga.

Endurecimento das medidas e suas consequências diretas

Desde o antecipado retorno de Donald Trump à Casa Branca, previsto para janeiro de 2025, os EUA têm intensificado as sanções contra o pequeno país caribenho. Uma das ações mais severas é o bloqueio energético, acompanhado de ameaças a países que comercializem petróleo com Cuba. Essa medida chegou a deixar a ilha sem nenhum barril de petróleo por três meses, resultando em apagões que podem ultrapassar dez horas na capital, Havana.

A falta de combustível tem um efeito cascata devastador na economia e na vida cotidiana. “Se não tem combustível, você não tem capacidade para produzir ou conservar alimentos ou manter os serviços básicos públicos, transporte público, não tem capacidade para indústria”, criticou o embaixador. Essa asfixia econômica tem escalado, levando à redução de voos internacionais, à saída de empresas hoteleiras estrangeiras e até mesmo da empresa de cartões Visa, impactando diretamente o setor de turismo, que é vital para Cuba.

Onda de pressão diplomática e o futuro da solidariedade global a Cuba

A aprovação da resolução da ONU contra o bloqueio econômico a Cuba, embora com menor apoio histórico, ainda representa um marco importante para a diplomacia cubana. Contudo, a escalada das sanções e a reconfiguração do cenário de votação na Assembleia Geral indicam uma fase de crescente pressão sobre a ilha.

O governo cubano e seus aliados permanecem vigilantes, cientes de que a política externa dos Estados Unidos, especialmente sob uma futura administração Trump, continuará a influenciar as relações internacionais e a solidariedade global com Cuba. O desafio para a ilha caribenha reside em navegar por esse ambiente complexo, buscando manter o apoio internacional e mitigar os impactos diretos e humanos do bloqueio prolongado.

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