Opinião

Lei Seca: Uma relação com o Brasil atual

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Lei Seca: Uma relação com o Brasil atual

Em cartaz na Netflix, o documentário “Prohibition” contextualiza o movimento político norte-americano que culminou na famosa “Lei Seca” no inicio do século XX.

É mais um documentário da dupla Ken Burns e Lynn Novick, os mesmos que dirigiram a série documental “The Vietnam War” que retrata o cenário mais amplo estadunidense, o qual derivou na proibição da produção e da comercialização de bebidas alcoólicas em todo o país.

O mais interessante desse documentário é demonstrar como a Lei Seca foi resultado de um longo movimento, que perdurou por décadas até que, aos poucos, de um ou outro Estado que adotou a proibição, o país inteiro aderiu à Lei Seca, formalizando-a através de uma emenda constitucional.

Todavia, talvez o mais enigmático para nós brasileiros seja a semelhança do movimento que redundou na Lei Seca com o quadro atual do país após a eleição de Jair Bolsonaro como presidente do país. Nos EUA, acreditava-se que todos os males do país: a violência, o desemprego, a falta de empreendedorismo, a vadiagem, até a corrupção seriam frutos do consumo de álcool. Uma vez que se proibisse a distribuição e o consumo de bebidas, o país iria dar um salto e tomar a liderança do desenvolvimento global, inclusive como uma nação modelo, onde a moral e a liberdade caminhariam juntas e seriam exemplos para outras nações.

Um sentimento ou ideal muito semelhante ao que se passa no Brasil atualmente, quando muito se acredita que todos os males do país sejam fruto da “mentalidade esquerdista” criada durante os 14 anos de liderança do Partido dos Trabalhadores na presidência do país. Cá, como lá, acredita-se que, uma vez que o PT seja extinto e se revogue todas as políticas consideradas “esquerdistas” ou “comunistas”, o país terá um grande desenvolvimento e, enfim, será uma nação mais justa e igualitária para todos.

Em comum, o vitimismo de ambos países em seu devido contexto, uns culpando a bebida, outros culpando o PT. Mas o resultado da proibição das bebidas foi o nascimento de uma nação hipócrita, onde burlar a lei se tornou parte do cotidiano. Algo não muito diferente do cenário brasileiro, quando o pseudo-combate à corrupção se tornou desculpa para tudo, inclusive para revalidar antigos discursos da Guerra Fria e fortalecer plataformas que se provam tão ou mais corruptas do que a corrupção que quer combater, que faz da hipocrisia uma manifestação comum dos cidadãos que apoiam esse discurso.

Assim como a Lei Seca se provou um “mito” nos EUA, fracassando de forma retumbante, não a toa o brasileiro elegeu um líder considerado “mito”, que prefere atribuir os problemas da nação a um segmento específico de pessoas ou a um conjunto de ideais, ao invés de perceber que esses males são intrínsecos de uma criatura chamada homem.

 

Escrito por Pedroom Lanne

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