A busca por expandir os investimentos em infraestrutura no Brasil ganhou um novo capítulo com a defesa unânime de ministros e líderes financeiros pela colaboração entre os setores público e privado. Recentemente, durante um seminário estratégico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), figuras proeminentes do governo enfatizaram que a consolidação de rodovias, portos, aeroportos, saneamento básico e habitação depende intrinsecamente de parcerias com a iniciativa privada. O evento marcou um consenso sobre a necessidade de uma política de investimentos contínua e perene para impulsionar o desenvolvimento nacional, congregando representantes de empresas do setor, bancos e gestoras de recursos, que acompanharam de perto os debates sobre o futuro da infraestrutura brasileira.
Autoridades debatem no BNDES a necessidade de colaboração público-privada para impulsionar setores vitais do país, visando superar desafios históricos e garantir um crescimento sustentável.
A visão governamental e o impulsionamento do desenvolvimento
Jader Barbalho Filho, ministro das Cidades, reiterou a premissa de que os investimentos devem ser uma política pública permanente. Ele afirmou enfaticamente que o progresso do Brasil está intrinsecamente ligado à capacidade de gerar e manter um ciclo contínuo de investimentos. A permanência de projetos em andamento é vista como crucial para que o país ingresse em um processo de crescimento robusto e sustentável. Segundo o ministro, a mensagem central é de apoio irrestrito aos projetos que visam modernizar e expandir a infraestrutura nacional, convidando o setor privado a somar forças neste objetivo comum.
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi destacado como um exemplo palpável de como o governo federal tem atuado como indutor do desenvolvimento. Jader Filho informou que, até o final de 2026, a meta é alcançar a marca de três milhões de contratos assinados com famílias beneficiadas. Ele sublinhou a relevância do MCMV, que, conforme suas palavras, foi responsável por aproximadamente 85% de todos os lançamentos imobiliários do país. Isso demonstra o impacto direto dos programas governamentais na economia e na qualidade de vida da população. Entretanto, ele pontuou que, sem a contribuição ativa da iniciativa privada, metas ambiciosas em áreas como mobilidade urbana e saneamento básico permanecerão inatingíveis.
O ministro ressaltou ainda os expressivos R$ 60 bilhões já investidos pelo governo em saneamento. Contudo, ele enfatizou que, para atingir a universalização do abastecimento de água e esgoto até 2033, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento, a participação de recursos privados é indispensável. A conjugação de esforços, portanto, emerge como a única via para concretizar esses objetivos de longo prazo, essenciais para a saúde pública e o bem-estar social.
O horizonte dos transportes e a atuação do BNDES
Na área de transportes, o ministro Renan Filho trouxe dados animadores. Ele revelou que o Brasil possui atualmente o maior “pipeline” – ou horizonte de projetos – de concessões rodoviárias do mundo. A expectativa é de que R$ 400 bilhões em investimentos privados sejam contratados em parceria com a iniciativa privada. Esses recursos serão destinados a obras de rodovias, ferrovias e mobilidade urbana, abrangendo um ciclo de investimentos que se estenderá por vários anos, não se limitando apenas aos próximos quatro. A escala dos projetos reforça o papel estratégico do Brasil no cenário global de infraestrutura, atraindo olhares de investidores internacionais.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, apresentou um diagnóstico preciso sobre o desafio brasileiro: um “hiato” de investimentos em infraestrutura equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruto (PIB). Para suprir essa defasagem, o país necessita de um aporte mínimo anual de R$ 218 bilhões. Ele destacou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, desde seu lançamento em 2023, já angariou R$ 788 bilhões em investimentos. O presidente do banco manifestou otimismo, projetando que o montante total de investimentos atingirá R$ 1 trilhão, um marco significativo para o desenvolvimento nacional. O BNDES, como banco público e principal agente de fomento do desenvolvimento, desempenha um papel central na aprovação de financiamentos estratégicos.
Um exemplo concreto da atuação do BNDES foi o anúncio da aprovação de um financiamento de R$ 9,2 bilhões para a concessionária EPR Iguaçu. Esse valor será utilizado para aprimorar 662 quilômetros de rodovias nas regiões oeste e sudoeste do Paraná, abrangendo importantes vias como BR-163, BR-277 e outras estaduais. Essa iniciativa ilustra o comprometimento do BNDES em viabilizar grandes projetos que geram impactos positivos diretos na economia regional e na qualidade das estradas.
O papel crescente do mercado de capitais
Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, enfatizou a importância da participação ativa do banco no mercado de capitais. Ela defendeu que o BNDES não apenas divida os riscos com outras instituições financeiras, mas também compartilhe os retornos. Esse posicionamento busca alavancar o mercado de capitais brasileiro, que, apesar de ainda não possuir a profundidade de prazo e volume de mercados mais desenvolvidos, está em franca expansão, impulsionado pela atuação do banco. A diretora revelou que o BNDES possui uma carteira robusta de R$ 80 bilhões em debêntures, demonstrando sua influência e capacidade de catalisar investimentos.
Gilson Finkelsztain, diretor-executivo da B3, a bolsa de valores de São Paulo, corroborou essa visão. Ele pontuou a transformação do mercado de capitais, que se consolidou como a principal fonte de captação de recursos para as empresas. Há uma década, o financiamento bancário era a única opção viável, mas o cenário mudou drasticamente. Em 2025, a economia brasileira registrou R$ 496 bilhões apenas em debêntures, com R$ 172 bilhões provenientes do setor de infraestrutura. Esses números reforçam a maturidade e a relevância crescente do mercado de capitais como motor para os investimentos em infraestrutura e o desenvolvimento econômico do país.
O que se sabe até agora sobre os investimentos em infraestrutura?
Ministros e o BNDES defendem intensamente uma maior participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura cruciais, como rodovias, saneamento e habitação, para superar um déficit anual bilionário. O governo federal já mobiliza grandes somas através de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Novo PAC, mas reconhece que o aporte de capital privado é indispensável para alcançar as ambiciosas metas de universalização de serviços e de desenvolvimento sustentável em todo o território nacional.
Quem são os principais envolvidos na discussão?
A defesa e o planejamento estratégico para a ampliação dos investimentos em infraestrutura contam com a participação ativa de figuras como Jader Barbalho Filho, ministro das Cidades, e Renan Filho, ministro dos Transportes. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e Luciana Costa, diretora do banco, também são essenciais, juntamente com representantes do mercado financeiro, como Gilson Finkelsztain, diretor-executivo da B3, todos unidos na busca por soluções para o financiamento de grandes projetos.
Quais são os próximos passos esperados para estas parcerias?
Espera-se que o governo federal intensifique a atração de capital privado, com o BNDES fortalecendo seu papel como financiador e mitigador de riscos em projetos de infraestrutura. Há a previsão de novos leilões e concessões, principalmente no setor de transportes, e a continuidade do Novo PAC. O objetivo central é superar o histórico déficit de investimentos e, assim, catalisar um crescimento econômico mais robusto e inclusivo para o Brasil, garantindo melhorias em serviços essenciais e na mobilidade.
A situação atual do Brasil em relação aos investimentos em infraestrutura demonstra um cenário de grande potencial, mas que exige a união de forças entre o poder público e o setor privado. Os próximos passos esperados incluem a formalização de novas parcerias, a execução de um calendário de concessões e leilões robusto e a continuidade do monitoramento e do financiamento por parte de instituições como o BNDES. A expectativa é que, com esses esforços coordenados, o país consiga suprir seu déficit histórico, modernizar suas estruturas e, finalmente, impulsionar um desenvolvimento econômico e social mais equitativo e sustentável para as próximas décadas.





