O déficit primário das contas públicas brasileiras atingiu R$ 16,4 bilhões no mês passado, conforme dados divulgados recentemente pelo Banco Central (BC). Esse resultado representa o desempenho fiscal do setor público consolidado, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais. Embora o Governo Central tenha registrado um saldo negativo expressivo, o superávit dos governos regionais contribuiu para amenizar o impacto geral, configurando um cenário de desafios contínuos na gestão fiscal do país.
Apesar do saldo negativo, houve uma redução em comparação com fevereiro de 2025, quando o resultado das contas foi de R$ 19 bilhões negativo. Esses números são cruciais para a análise da saúde financeira do Brasil e para as projeções econômicas futuras, sendo um indicador-chave acompanhado por investidores e agências de classificação de risco.
Entendendo o déficit primário das contas públicas
O déficit primário representa a diferença entre as receitas e as despesas do setor público, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública. Ele é um termômetro direto da capacidade do governo de arrecadar e gerenciar seus gastos correntes. Quando há um déficit, significa que as despesas superaram as receitas no período, necessitando de financiamento para cobrir a diferença.
Este indicador se distingue do resultado nominal, que inclui os juros da dívida. Enquanto o primário foca na gestão operacional, o nominal oferece uma visão mais completa do endividamento total, sendo fundamental para a percepção de risco e a análise da sustentabilidade da dívida de um país. A divulgação dessas estatísticas fiscais pelo Banco Central permite uma avaliação transparente do desempenho econômico.
Componentes do saldo negativo e suas influências
O principal vetor para o déficit geral foi o Governo Central, que engloba o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência Social. As contas do Governo Central registraram um déficit primário de R$ 29,5 bilhões em fevereiro. Esse valor é ligeiramente superior ao déficit de R$ 28,5 bilhões observado em fevereiro de 2025, indicando uma persistência ou mesmo um agravamento dos desafios fiscais nessa esfera governamental.
Entre os fatores que pressionaram os gastos do Governo Central, destacam-se as despesas com o Programa Pé-de-Meia, iniciativa voltada para incentivar a permanência de estudantes no ensino médio, e os reajustes concedidos ao funcionalismo público. Tais investimentos e compromissos salariais são essenciais, mas impactam diretamente o balanço das contas governamentais, exigindo um controle rigoroso.
O que se sabe sobre a composição do déficit atual
O déficit primário das contas públicas no mês passado foi de R$ 16,4 bilhões para o setor consolidado. Esse montante resulta de um expressivo déficit de R$ 29,5 bilhões no Governo Central, atenuado por um superávit de R$ 13,7 bilhões nos governos regionais e impactado por um resultado negativo de R$ 568 milhões das empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluindo Petrobras e Eletrobras.
Papel dos governos regionais e das estatais no resultado
Em contraste com o Governo Central, os governos regionais – ou seja, estados e municípios – apresentaram um desempenho fiscal positivo. Eles registraram um superávit de R$ 13,7 bilhões em fevereiro, um aumento significativo em relação aos R$ 9,2 bilhões apurados no mesmo mês de 2025. Esse resultado positivo foi crucial para compensar parcialmente o déficit federal e mostra uma dinâmica fiscal mais favorável nessas esferas administrativas, contribuindo para a redução do saldo negativo geral.
Por outro lado, as empresas estatais federais, estaduais e municipais (excluindo Petrobras e Eletrobras) contribuíram para ampliar o déficit consolidado, com um saldo negativo de R$ 568 milhões em fevereiro. No mesmo período de 2025, essas entidades haviam registrado um superávit de R$ 299 milhões, indicando uma reversão no desempenho fiscal desse grupo específico de estatais.
Quem está envolvido na gestão das contas públicas
A gestão fiscal do setor público consolidado envolve diretamente a União (Governo Central, incluindo Tesouro Nacional, BC e Previdência Social), os 26 estados e o Distrito Federal, os mais de 5 mil municípios brasileiros, e as empresas estatais sob controle dessas esferas. O Banco Central é o órgão responsável pela compilação e divulgação oficial dessas estatísticas fiscais.
Juros da dívida e o resultado nominal do setor público
Além do déficit primário, outro ponto de atenção são os gastos com juros da dívida pública. Em fevereiro, esses custos atingiram R$ 84,2 bilhões. Ao somar o resultado primário e os juros, chega-se ao déficit nominal das contas públicas, que ficou em R$ 100,6 bilhões no mês, superando o resultado negativo de R$ 97,2 bilhões registrado em igual período de 2025.
Em um recorte de 12 meses encerrados em fevereiro, o setor público acumulou um déficit nominal de R$ 1,1 trilhão, equivalente a 8,48% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado nominal é um indicador de grande relevância para as agências de classificação de risco e para a avaliação de investidores, pois reflete o impacto total do endividamento sobre a economia de um país.
Panorama da dívida pública brasileira: líquida e bruta
A dívida pública é um espelho do histórico fiscal do país. A dívida líquida do setor público, que considera o balanço entre créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais, alcançou R$ 8,4 trilhões em fevereiro. Esse valor corresponde a 65,5% do PIB, marcando um aumento de 0,5 ponto percentual do PIB no mês.
Diversos fatores contribuem para a variação da dívida líquida. No mês passado, o aumento foi influenciado pelo déficit primário mensal, pela apropriação dos juros nominais e pela valorização cambial de 1,5% em fevereiro. Como o Brasil é credor em moeda estrangeira, a alta do dólar, paradoxalmente, tende a aumentar a dívida líquida, pois desvaloriza os ativos em moeda estrangeira em termos de reais.
Já a dívida bruta do governo geral (DBGG), que contabiliza apenas os passivos de União, estados e municípios, sem os ativos, chegou a R$ 10,2 trilhões, ou 79,2% do PIB. Houve um aumento de 0,5 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior. A DBGG é uma métrica amplamente utilizada para comparações internacionais da solidez fiscal entre diferentes nações.
O que acontece a seguir com a dívida e o déficit fiscal
A persistência do déficit primário das contas públicas e o crescimento da dívida pública exigem atenção contínua das autoridades fiscais. O governo deve buscar a consolidação fiscal através de medidas de contenção de gastos e incremento de receitas, visando cumprir as metas fiscais e estabilizar o endividamento. A evolução desses indicadores será crucial para a confiança dos mercados e o ambiente de investimentos no país.
Implicações futuras para a trajetória fiscal brasileira
A situação fiscal do Brasil, marcada por um déficit primário das contas públicas significativo, demanda uma gestão rigorosa e um planejamento estratégico de longo prazo. O desafio de equilibrar as contas, controlar a dívida pública e, ao mesmo tempo, promover investimentos essenciais e programas sociais é constante. A atenção do Banco Central e dos mercados permanecerá voltada para a capacidade do país de reverter a trajetória de endividamento e alcançar superávits que garantam a sustentabilidade fiscal.
Acompanhar de perto a evolução do setor público consolidado é fundamental para entender os rumos da economia e os potenciais impactos sobre a inflação, as taxas de juros e o crescimento econômico geral. As decisões tomadas hoje terão repercussões diretas na capacidade do Brasil de financiar seu desenvolvimento e manter a estabilidade econômica nos próximos anos, influenciando a qualidade de vida da população e a atratividade do país para investidores.





