Os pilares da seleção argentina e espanhola emergem como figuras indispensáveis na iminente final da Copa do Mundo, que acontecerá neste domingo, dia 19, às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey. Embora os holofotes se voltem para estrelas como Lionel Messi e Lamine Yamal, são as contribuições discretas, porém decisivas, desses atletas que sustentam a jornada de suas equipes até a grande decisão. Longe do brilho individual dos artilheiros, uma rede de talentos menos visados demonstra ser a verdadeira espinha dorsal estratégica de seus países.
A narrativa predominante muitas vezes ignora a profundidade do elenco e a importância de jogadores que, apesar de não protagonizarem as manchetes, são essenciais para o equilíbrio e o sucesso coletivo. Suas atuações consistentes, liderança em campo e capacidade de resolver problemas em momentos críticos são fatores determinantes que permitem que os talentos ofensivos brilhem. Sem a solidez proporcionada por esses atletas, as chances de qualquer seleção alcançar uma final de Copa seriam drasticamente reduzidas.
Além dos craques: as bases da Argentina
Na Albiceleste, o impacto de Lionel Messi é inegável, com o camisa 10 participando diretamente de 12 dos 19 gols da equipe, somando oito tentos e quatro assistências. Contudo, para que o ataque funcione, a retaguarda precisa ser impenetrável. Cristian Romero, zagueiro central, tem sido fundamental nesse aspecto. Sua presença no sistema defensivo garante a segurança necessária para as jogadas ofensivas se desenvolverem sem preocupações excessivas. Romero se destaca na zaga pela sua agressividade controlada e senso de antecipação.
O Power Ranking da Federação Internacional de Futebol (Fifa), um sistema que avalia o desempenho dos jogadores a partir de dados coletados nas partidas, posiciona Romero com a sexta melhor nota defensiva entre todos os atletas da Copa, registrando 7.34. Na vitória por 2 a 1 contra a Inglaterra, pelas semifinais, disputada em Atlanta, o zagueiro foi o melhor em ações defensivas com a impressionante marca de 7.79. Sua capacidade de desarmar e interceptar bolas tem sido vital para a campanha argentina, frequentemente neutralizando as investidas adversárias antes que se tornem ameaças reais.
Além da excelência na defesa, Romero também contribuiu no ataque. O gol de cabeça, após cruzamento de Messi, aos 34 minutos do segundo tempo na partida contra o Egito, pelas oitavas de final, marcou o início da recuperação argentina. Os Hermanos perdiam por 2 a 0 e o tento de Romero impulsionou a reação que culminou na virada por 3 a 2, um momento decisivo que garantiu a progressão da equipe para a fase seguinte do torneio. Essa versatilidade o torna um dos pilares da seleção, indispensável nas duas pontas do campo.
Outra peça crucial na defesa argentina é Lisandro Martínez. Apesar de sua estatura de 1,75 metro ser considerada baixa para um zagueiro, ele compensa com uma liderança notável e um posicionamento impecável. A confiança do técnico Lionel Scaloni nele é justificada pelo seu desempenho consistente e sua habilidade de organizar a linha defensiva. Lisandro não apenas se destaca na marcação, mas também contribui ativamente para as movimentações ofensivas da Albiceleste com a qualidade de seus lançamentos longos.
Em um duelo contra Cabo Verde, pelos 16 avos de final em Miami, foi a partir de um lançamento preciso de Lisandro, da intermediária, que Messi abriu o placar. Além de sua capacidade de iniciar jogadas, o zagueiro também balançou as redes naquele mesmo jogo, após uma cobrança de escanteio do camisa 10, demonstrando sua presença na área adversária em momentos importantes. Sua inteligência tática e a visão de jogo o colocam como um dos pilares da seleção, um defensor moderno que agrega tanto na defesa quanto na transição ofensiva.
Alexis Mac Allister, que também não se destaca pela estatura (1,76 metro), tem sido uma surpresa positiva, especialmente no jogo aéreo. A cada confronto, o meia se firma como um elemento inesperado e perigoso para a Argentina. Sua capacidade de aparecer em zonas de finalização e sua precisão nos chutes o tornam uma ameaça constante para os adversários. Mac Allister se tornou um jogador imprevisível e um coringa tático para Scaloni.
Foi pelo alto que ele marcou o primeiro gol na vitória por 3 a 1 sobre a Suíça, nas quartas de final, em Kansas City. Contra a Inglaterra, na semifinal, o meia acertou a trave duas vezes, uma de cada lado do campo. Em uma dessas ocasiões, ele surgiu no meio de dois zagueiros visivelmente mais altos para cabecear, evidenciando sua astúcia e seu timing apurado. Ele é um alvo a ser monitorado de perto pelos adversários, consolidando-se como um dos pilares da seleção.
A muralha espanhola e seus motores silenciosos
A defesa da Espanha tem sido um ponto forte inquestionável, sofrendo apenas um gol em toda a Copa. A solidez da trinca formada pelos zagueiros Aymeric Laporte e Pau Cubarsi, juntamente com o lateral-esquerdo Marc Cucurella, era um trunfo esperado. No entanto, o lado direito da defesa gerava algumas dúvidas, principalmente pela ausência do experiente Dani Carvajal, que perdeu espaço devido a lesões. A solução para essa lacuna veio de forma surpreendente, com um desempenho excepcional de um novo nome.
Pedro Porro dissipou todas as incertezas. No Power Ranking da Fifa, ele apresenta o segundo melhor desempenho defensivo da Copa com 7.69, superado apenas por Rodri, seu colega de seleção, que alcançou 8.03. A segurança defensiva de Porro na lateral direita tem sido exemplar, fornecendo a estabilidade necessária para a equipe. Além de suas atribuições defensivas, ele demonstra grande vigor ofensivo, formando tramas eficazes com Lamine Yamal pelo lado direito do ataque.
A colaboração entre Porro e Yamal já resultou em dois gols para o lateral, incluindo o que garantiu a vitória por 2 a 0 sobre a França, em Dallas, nas semifinais. Sua capacidade de avançar e participar das jogadas ofensivas, sem comprometer a retaguarda, o estabelece firmemente como um dos pilares da seleção espanhola. Ele transformou uma potencial fragilidade em uma fortaleza, mostrando-se um jogador completo e versátil para a equipe de Luis de la Fuente.
Os gols decisivos têm sido a especialidade de Mikel Merino neste Mundial. Mesmo saindo do banco de reservas, Merino marcou dois gols cruciais que selaram vitórias importantes para a Espanha. Ele foi o autor do gol que garantiu o triunfo por 1 a 0 sobre Portugal, em Dallas, pelas oitavas de final, e contribuiu na vitória por 2 a 1 contra a Bélgica, em Los Angeles, nas quartas. Sua capacidade de mudar o rumo de uma partida com sua entrada em campo o tornou um trunfo valioso para a equipe técnica.
Esse heroísmo de Merino, vindo da reserva, não é uma surpresa para quem acompanha sua carreira. Ele é conhecido por sua combatividade, inteligência tática e faro de gol, características que o tornam um jogador extremamente útil em diferentes cenários de jogo. Sua presença no meio-campo confere mais solidez e capacidade de transição, mostrando que os pilares da seleção não são apenas aqueles que iniciam os jogos, mas também os que entram para decidir.
As contribuições ocultas que definem o jogo
O que se sabe até agora é que Argentina e Espanha alcançaram a final da Copa do Mundo impulsionadas não apenas pelos seus craques, mas por uma série de jogadores cujas atuações silenciosas foram igualmente determinantes. Esses atletas fornecem o equilíbrio tático, a solidez defensiva e as peças de transição que permitem aos atacantes focar em suas responsabilidades ofensivas. Suas contribuições demonstram que o futebol é um esporte coletivo, onde cada engrenagem é vital para o funcionamento do sistema.
Quem está envolvido são jogadores como Cristian Romero, Lisandro Martínez e Alexis Mac Allister pela Argentina, e Pedro Porro, Rodri e Mikel Merino pela Espanha. Eles são a personificação da profundidade de elenco e da adaptabilidade tática que caracterizam as equipes finalistas. Seus nomes podem não estar estampados nas capas dos jornais com a mesma frequência que Messi ou Yamal, mas suas performances são amplamente reconhecidas internamente e pelos analistas de desempenho.
O que acontece a seguir é a disputa da final neste domingo, onde esses pilares da seleção terão mais uma oportunidade de provar seu valor em campo. O resultado do jogo dependerá não apenas dos momentos de genialidade individual, mas da capacidade de todo o coletivo em executar o plano tático. A atuação desses jogadores será crucial para a manutenção do equilíbrio e para a criação das oportunidades que podem definir o próximo campeão mundial.
O legado invisível para a glória futura
A grande final de Copa do Mundo se aproxima, e a atenção global se volta para Nova Jersey. Independentemente de quem levantar a taça, a jornada de Argentina e Espanha até este ponto ressalta uma verdade fundamental no futebol moderno: a vitória é construída por um esforço coletivo. Os jogadores que atuam nas sombras dos holofotes, os verdadeiros pilares da seleção, são frequentemente os que permitem que os momentos de brilho aconteçam. Suas contribuições, embora por vezes subestimadas, são a base para qualquer conquista duradoura.
A valorização desses atletas menos badalados é um indicativo da maturidade tática e da profundidade de elenco que ambas as seleções desenvolveram. O impacto desses jogadores vai além do campo, servindo como inspiração para futuras gerações sobre a importância do trabalho em equipe e da dedicação. A história da Copa do Mundo deste ano, marcada pela performance desses heróis discretos, solidifica a ideia de que o sucesso no futebol é uma tapeçaria tecida por muitos fios, cada um essencial para a beleza e a resistência do conjunto.





