Brasil começa trajetória rumo a Los Angeles 2028 nos Jogos Parasul-Americanos.
Futebol de cegos é o centro das atenções com a estreia da seleção brasileira nesta quinta-feira nos Jogos Parasul-Americanos de 2026, em Valledupar, Colômbia. A equipe pentacampeã mundial e paralímpica enfrenta o Panamá a partir das 18h (horário de Brasília), marcando o início de um novo ciclo competitivo que visa os Jogos de Los Angeles em 2028. Este momento é crucial para o Brasil, que busca reafirmar sua hegemonia global na modalidade após um período de desafios e a perda do topo do pódio nas competições mais recentes. A partida inaugural, disputada em Agustín Codazzi, cidade vizinha à sede, é um passo fundamental na preparação e na avaliação do novo elenco.
O que se sabe até agora
A seleção brasileira de futebol de cegos, com um histórico de excelência, inicia sua jornada nos Jogos Parasul-Americanos de 2026. A equipe tem como meta principal o ciclo para Los Angeles 2028, com foco na renovação tática e na adaptação de novos talentos. A competição em Valledupar serve como um palco vital para o desenvolvimento e a coesão do time, especialmente após os resultados do ciclo anterior que não culminaram em ouro nas principais disputas. O desafio imediato é superar as equipes sul-americanas e demonstrar a força do elenco.
Retrospecto recente e a busca pela recuperação
O início do ciclo em 2026 para os Jogos de Los Angeles em 2028 é especialmente significativo, considerando o desempenho da seleção brasileira nas últimas grandes competições. Na edição de Paris, no ciclo anterior, o Brasil ficou, pela primeira vez, fora do topo do pódio no futebol de cegos. A seleção conquistou o bronze ao derrotar a Colômbia na disputa pelo terceiro lugar, após ser superada pela Argentina na semifinal. O título daquela ocasião ficou com a equipe anfitriã, a França.
Além da Paralimpíada, o Brasil não obteve a medalha de ouro em outros eventos de destaque do ciclo passado. Na Copa América de 2022, realizada em Córdoba, Argentina, os anfitriões sagraram-se campeões sobre a seleção brasileira. Em seguida, o título mundial de 2025, sediado na cidade britânica de Birmingham, também foi conquistado pelos argentinos, com o time verde e amarelo terminando na terceira posição. Estes resultados sublinham a importância de um recomeço robusto para a equipe.
Formato da competição e os adversários
O torneio de futebol de cegos nos Jogos Parasul-Americanos de 2026 reúne seis seleções de alto nível: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Panamá e Peru. A primeira fase da competição adota um formato de turno único, onde todas as equipes se enfrentam. Este modelo garante um alto número de jogos e a oportunidade para que cada seleção demonstre seu potencial. Ao final desta etapa, as duas equipes com as melhores campanhas avançam para a grande final, disputando a medalha de ouro.
Simultaneamente, as seleções que terminarem em terceiro e quarto lugares na fase de grupos competem pela medalha de bronze, garantindo uma disputa acirrada até as últimas rodadas. Este sistema valoriza a consistência e a performance ao longo de toda a primeira fase, testando a resiliência e a estratégia de cada time em campo.
Agenda da seleção brasileira na fase de grupos
Após a partida de estreia contra o Panamá, a seleção brasileira de futebol de cegos tem uma sequência intensa de jogos. Nesta sexta-feira, os brasileiros encaram a Colômbia, equipe dona da casa, em um confronto previsto para as 11h (horário de Brasília). O sábado será marcado por um reencontro aguardado com os arquirrivais argentinos, também às 11h, prometendo um duelo de grande rivalidade e técnica apurada.
No domingo, às 20h30, os adversários serão os chilenos, e a participação na primeira fase se encerra na próxima segunda-feira, às 18h, contra os peruanos. A etapa de disputa do bronze está agendada para as 11h de quarta-feira, último dia do evento. A grande final que definirá o campeão ocorrerá no mesmo dia, às 18h, coroando a melhor equipe do torneio.
Quem está envolvido
Os Jogos Parasul-Americanos de 2026 marcam a estreia de Julio Cesar Macena, conhecido como Cesinha, no comando técnico da seleção brasileira de futebol de cegos. Ele assume a função após o legado de Fábio Vasconcelos, ex-goleiro da modalidade (a única posição em que o atleta pode enxergar) e treinador tricampeão mundial e paralímpico à frente do Brasil. Cesinha, com experiência prévia como chamador (membro da comissão técnica que orienta os jogadores de ataque atrás do gol adversário) na campanha do bronze em Paris, traz uma nova perspectiva para a equipe.
Sua nomeação é vista como um movimento estratégico para oxigenar o grupo e implementar novas táticas. Em maio deste ano, o Brasil já disputou os três primeiros amistosos do novo ciclo sob sua liderança. Todos os confrontos foram contra a França, realizados em São Paulo, e resultaram em vitórias brasileiras: duas por 2 a 0 e uma expressiva goleada por 5 a 0. Esses resultados iniciais indicam um promissor começo para a gestão de Cesinha.
Domínio brasileiro no quadro geral de medalhas
Enquanto o futebol de cegos inicia sua trajetória, o Brasil já demonstra um domínio avassalador no quadro geral de medalhas dos Jogos Parasul-Americanos de 2026. Após uma semana de intensas disputas, a delegação verde e amarela acumula um total de 68 pódios. Deste impressionante total, 31 medalhas são de ouro, consolidando a liderança do país na competição. O desempenho inclui ainda 25 pratas e 12 bronzes, evidenciando a profundidade e a excelência dos atletas paralímpicos brasileiros em diversas modalidades.
Para contextualizar a dimensão desta campanha, o Brasil possui, em ouros, quase o total de medalhas da Colômbia (34), que ocupa a segunda posição, e supera a soma de Venezuela (14) e Argentina (23), respectivamente em quarto e quinto lugares no quadro. O Chile, com 37 pódios, sendo 10 dourados, figura em terceiro. Esta performance geral reforça a força do paradesporto nacional e a capacidade de seus representantes em competições internacionais.
O que acontece a seguir
A liderança no quadro de medalhas dos Jogos Parasul-Americanos de 2026 destaca a estratégia brasileira de desenvolvimento em diversas modalidades. Na última quarta-feira, os esportes coletivos foram o grande destaque. As seleções masculinas e femininas de goalball e vôlei sentado garantiram medalhas de ouro, mesmo sem contar com suas forças máximas em Valledupar. Essa abordagem, que permite a participação de equipes de base e alternativas, é fundamental para o crescimento do esporte e a formação de novos talentos para o futuro.
No goalball, modalidade exclusiva para deficientes visuais e não uma adaptação, o Brasil foi representado por equipes de base. No masculino, os jovens brasileiros foram campeões sobre a Argentina, a sexta melhor do mundo no adulto, vencendo por 8 a 6. No feminino, o triunfo na final foi contra o Peru, por 5 a 4 na prorrogação. No vôlei sentado, as seleções principais iniciaram nesta sexta-feira sua participação no Campeonato Mundial da modalidade, em Hangzhou, China. Por isso, o Brasil disputou os torneios em Valledupar com equipes alternativas, mas, ainda assim, foi campeão em ambos os naipes. O time masculino venceu a Colômbia por 3 sets a 0 na final (25/19, 25/20 e 25/15), e o feminino fez 3 a 0 no Peru (25/16, 25/10 e 25/12). Isso demonstra a profundidade de atletas e a estratégia de longo prazo do Comitê Paralímpico Brasileiro.
A construção de um legado para o futuro do paradesporto
A participação do Brasil nos Jogos Parasul-Americanos de 2026 vai muito além das medalhas imediatas no futebol de cegos ou em outras modalidades. A competição representa um pilar fundamental na construção de um legado duradouro para o paradesporto nacional. Ao introduzir novos talentos, testar estratégias sob a liderança de um técnico recém-empossado e proporcionar experiência em nível internacional, o país solidifica as bases para ciclos futuros. A busca por Los Angeles 2028 é uma meta ambiciosa, mas alcançável, alicerçada na excelência, na inovação e na paixão dos atletas. A jornada de Valledupar é apenas o começo de um percurso que promete reafirmar o Brasil como uma potência inquestionável no cenário paralímpico mundial, impulsionando a inclusão e a performance para as próximas gerações.





