Um novo boletim da Fundação do Câncer revela dados cruciais sobre o melanoma extracutâneo, uma forma rara e agressiva de câncer que se manifesta fora da pele. A doença, que tem origem nas células produtoras de melanina, pode atingir olhos, mucosas e até órgãos internos, apresentando um risco elevado de metástase e, consequentemente, maior letalidade.
O que aconteceu: A Fundação do Câncer lançou a 12ª edição do boletim “Análises e Tendências em Câncer”, destacando os perigos do melanoma fora da pele. Com quem: O estudo envolveu consultores médicos da Fundação do Câncer, como Alfredo Scaff, e utilizou dados da plataforma info.oncollect. Onde: O foco é o cenário epidemiológico do câncer no Brasil, com análises de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) em diversas regiões. Quando: O boletim foi lançado neste mês, com dados que abrangem o período entre 2014 e 2023 para análises de tratamento. Por quê: O objetivo é alertar a sociedade e profissionais sobre a importância de conhecer, prevenir e diagnosticar precocemente este tipo de câncer, que embora menos frequente, é mais agressivo.
Compreendendo o melanoma extracutâneo
O melanoma é um câncer que se desenvolve a partir dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Embora a maioria dos casos esteja associada à exposição solar e se manifeste na pele, o melanoma extracutâneo desafia essa percepção. Ele pode surgir em áreas surpreendentes, como o olho (melanoma ocular), nas membranas mucosas da cavidade oral, trato genital ou digestório, e em órgãos internos.
A Fundação do Câncer salienta que, apesar de ser menos comum que o melanoma cutâneo, o melanoma extracutâneo é frequentemente mais agressivo e possui maior potencial de disseminação para outras partes do corpo através de metástases. Esta característica o torna um desafio significativo tanto para diagnóstico quanto para tratamento, exigindo uma abordagem multidisciplinar e um alto grau de alerta por parte de pacientes e profissionais de saúde.
A importância do conhecimento e da prevenção
O boletim da Fundação do Câncer, intitulado “Melanoma: nem sempre na pele”, enfatiza que o primeiro passo para enfrentar o câncer é o conhecimento. “Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, afirma a publicação. Esta perspectiva é crucial para a conscientização sobre o melanoma extracutâneo, muitas vezes negligenciado por sua raridade e pela falta de informação generalizada.
O que se sabe até agora: A 12ª edição do boletim da Fundação do Câncer detalha os riscos e características do melanoma de pele e do melanoma extracutâneo, evidenciando a necessidade de estratégias mais amplas de saúde pública. Quem está envolvido: A Fundação do Câncer lidera este esforço, com a colaboração de consultores médicos como Alfredo Scaff, visando alertar a sociedade e orientar profissionais de saúde sobre os desafios específicos desta doença. O que acontece a seguir: A expectativa é que o boletim impulsione discussões sobre políticas de prevenção e diagnóstico precoce, melhorando o acesso e a qualificação dos registros de câncer em todo o Brasil.
Desafios no diagnóstico e tratamento no SUS
Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, reforça a urgência de uma abordagem integrada. “Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca. Para o melanoma de pele e o melanoma extracutâneo, isso implica na articulação entre diversas especialidades médicas, incluindo dermatologia, oftalmologia e oncologia, além da atenção básica.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão para o melanoma tem sido a cirurgia da lesão primária, muitas vezes complementada pela remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos. Dados do boletim revelam que, entre **2014 e 2023**, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando **84,7%** dos procedimentos registrados. A Região Sudeste liderou com **89,6%** dos casos cirúrgicos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual, com **64,4%**.
Um ponto crítico levantado pelo estudo é o deslocamento de pacientes. Embora a maioria tenha recebido tratamento na própria região de residência, a Região Centro-Oeste se destacou pela maior necessidade de deslocamento para tratamento oncológico, com **20,2%** dos pacientes buscando atendimento em outras localidades. Este dado, segundo a Fundação do Câncer, sinaliza um “importante gargalo de acesso à assistência especializada”, ressaltando as desigualdades regionais no acesso à saúde.
Avanços e lacunas nas terapias oncológicas
Além da cirurgia, a quimioterapia é amplamente empregada no tratamento de diversos tipos de melanoma, conforme orientação do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Contudo, os avanços mais notáveis na última década incluem as imunoterapias. Em **2016**, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso de medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe. Mais recentemente, o tebentafuspe foi aprovado especificamente para melanoma ocular metastático ou inoperável, evidenciando um foco crescente em terapias direcionadas para subtipos específicos, como o melanoma extracutâneo ocular.
Em **2020**, um marco importante foi alcançado com a aprovação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) da primeira imunoterapia para o tratamento do melanoma metastático no SUS, utilizando os agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe). Alfredo Scaff celebra esses avanços, afirmando que a chegada desses medicamentos de ponta “aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática”.
O consultor médico da Fundação do Câncer descreve o impacto como revolucionário: “Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”. No entanto, Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca, aponta uma lacuna crítica: as evidências para o uso de imunoterapia no tratamento do melanoma extracutâneo ainda são escassas, com “muitas sem nenhuma efetividade”. Essa constatação sublinha a necessidade de mais pesquisas e ensaios clínicos focados nesta forma particular e desafiadora da doença.
O impacto da pesquisa na saúde pública brasileira
Anualmente, os boletins da Fundação do Câncer oferecem um panorama epidemiológico do câncer no Brasil, servindo como ferramenta essencial para alertar a sociedade e guiar profissionais de saúde na prevenção, diagnóstico precoce e combate à doença. Os dados compilados pela plataforma info.oncollect, que integra registros hospitalares de oncologia, são fundamentais para entender tendências e identificar áreas que necessitam de intervenção. A qualificação desses registros e o acesso oportuno ao tratamento são pilares para a melhoria da assistência oncológica no país.
O que se sabe até agora: A introdução de imunoterapias revolucionou o tratamento do melanoma de pele avançado, mas o melanoma extracutâneo ainda enfrenta desafios significativos em termos de opções terapêuticas comprovadas e acesso. Quem está envolvido: Médicos, pesquisadores, órgãos de saúde como Anvisa e Conitec, além de fundações como a Fundação do Câncer, são atores chave na busca por soluções. O que acontece a seguir: Espera-se que a conscientização sobre o melanoma extracutâneo estimule mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos específicos, além de fortalecer a articulação entre as diversas especialidades médicas para um diagnóstico mais rápido e eficaz.
Perspectivas futuras para pacientes com melanoma raro
O alerta sobre o melanoma extracutâneo emitido pela Fundação do Câncer reforça a necessidade de vigilância contínua e aprimoramento das estratégias de saúde pública. A integração de dados, a qualificação dos profissionais e a promoção de pesquisas direcionadas são essenciais para reduzir a letalidade de formas raras e agressivas de câncer. Garantir que o conhecimento sobre estas manifestações atípicas chegue à população e aos profissionais é um passo fundamental para salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes brasileiros. A luta contra o câncer é contínua, e a informação precisa é a primeira linha de defesa.





