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Pisa 2025: IA, bullying e desempenho estudantil no Brasil

6 min leitura

Os resultados do Pisa 2025, divulgados recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam um panorama complexo da educação brasileira, com destaque para a crescente integração da inteligência artificial no dia a dia dos estudantes, a persistência do bullying e um desempenho acadêmico que continua abaixo da média internacional. O estudo, que avalia o conhecimento de alunos de 15 anos em leitura, matemática e ciência a cada três anos, oferece um retrato detalhado de como as novas tecnologias e desafios sociais impactam o ambiente escolar no Brasil, apontando para a necessidade de atenção e adaptações urgentes no sistema educacional do país.

A inteligência artificial na rotina estudantil

Pela primeira vez, o levantamento do Pisa incluiu questões sobre o uso de inteligência artificial por estudantes, e os dados são reveladores. Quase metade dos alunos brasileiros de 15 anos utiliza chatbots de IA, como o ChatGPT, para auxiliar nos estudos ao menos uma vez por semana. Essa porcentagem atingiu 48% no Brasil, superando ligeiramente a média da OCDE, que foi de 46%. Essa estatística sublinha uma rápida adoção da tecnologia por parte dos jovens, indicando que a inteligência artificial já é uma ferramenta integrada no processo de aprendizado, mesmo que de forma informal.

A inserção da IA no cotidiano educacional levanta questões importantes sobre a forma como os estudantes interagem com o conhecimento e desenvolvem suas habilidades. Enquanto a IA pode oferecer suporte significativo para pesquisa e compreensão de conceitos, é fundamental que haja um acompanhamento pedagógico para garantir que seu uso fomente o pensamento crítico e a autonomia, em vez de apenas facilitar a obtenção de respostas. O Pisa 2025 destaca, portanto, a urgência de escolas e educadores debaterem e definirem diretrizes para a integração ética e eficaz da inteligência artificial no ambiente escolar, preparando os alunos para os desafios de um mundo cada vez mais digital.

O que se sabe sobre o uso da IA pelos estudantes

Até o momento, sabe-se que a inteligência artificial já faz parte da realidade de estudo de quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos, sendo utilizada semanalmente. Estudantes do Brasil e de outros países da OCDE estão envolvidos neste fenômeno, que representa uma mudança significativa nas metodologias de aprendizado. Para o futuro, espera-se que haja um monitoramento contínuo do impacto da IA no aprendizado, com o desenvolvimento de políticas educacionais que orientem seu uso, garantindo benefícios pedagógicos e mitigando riscos potenciais.

O desafio do bullying e cyberbullying

Outro ponto de atenção revelado pelo Pisa 2025 é a incidência de bullying nas escolas. No Brasil, 17% dos estudantes relataram ter sido vítimas de alguma forma de bullying várias vezes por mês ou com maior frequência, um percentual abaixo da média da OCDE, que foi de 20%. Curiosamente, enquanto a maioria dos países participantes registrou um aumento no problema entre 2022 e 2025, no Brasil a incidência de bullying permaneceu estável, sem mudança significativa. Isso não diminui a gravidade do problema, mas sugere diferentes dinâmicas sociais e escolares em comparação com o cenário global.

O cyberbullying, por sua vez, embora menos frequente, é uma preocupação crescente. Três por cento dos estudantes brasileiros afirmaram que informações prejudiciais foram publicadas sobre eles na internet sem consentimento, pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à aplicação do Pisa. Esse índice é idêntico à média da OCDE, indicando que o problema transcende fronteiras e requer abordagens globais. A natureza do cyberbullying, com sua capacidade de atingir a vítima em qualquer lugar e a qualquer momento, exige estratégias de prevenção e intervenção que englobem não apenas o ambiente escolar, mas também o uso consciente das redes e plataformas digitais.

Contexto do bullying e cyberbullying no ambiente escolar

Atualmente, a incidência de bullying no Brasil é ligeiramente inferior à média da OCDE, mas o cyberbullying apresenta estatísticas semelhantes globalmente. Os principais envolvidos são os estudantes brasileiros e de outros países da OCDE, bem como as escolas, famílias e formuladores de políticas públicas. A seguir, é crucial intensificar as iniciativas de prevenção e combate, com foco particular no enfrentamento ao cyberbullying através de programas de conscientização digital, segurança online e suporte psicossocial para as vítimas.

Smartphones na escola: distração e proibição

O uso de dispositivos digitais na escola apresenta uma dualidade. No Brasil, estudantes utilizam, em média, 1,3 hora por dia esses dispositivos para atividades de aprendizagem, um valor abaixo da média da OCDE (1,7 hora). Contudo, o tempo de uso para lazer também é relevante: uma hora diária em atividades não relacionadas ao aprendizado no Brasil, ante 1,1 hora na OCDE. Esses números evidenciam a dificuldade em manter o foco e a propensão à distração gerada pela tecnologia dentro da sala de aula, impactando diretamente o desempenho dos alunos.

A distração é uma preocupação clara nos dados do Pisa 2025. Vinte e cinco por cento dos estudantes brasileiros relataram que seus colegas frequentemente se distraem com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de ciências, comparado a 28% na média da OCDE. A implicação dessa distração é significativa: alunos que relatam essa interrupção obtêm, em média, 11 pontos a menos em ciências nos países da OCDE. No Brasil, essa diferença é ainda mais acentuada, chegando a 19 pontos, mesmo após considerar as diferenças socioeconômicas entre estudantes e escolas. Isso sugere que o impacto da distração tecnológica no aprendizado brasileiro é particularmente prejudicial.

Diante desse cenário, a proibição do uso de celulares nas escolas tornou-se uma medida muito mais comum. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros frequentavam escolas onde o uso de celulares não era permitido nas dependências, um percentual bem superior à média da OCDE, de 49%. Houve um forte avanço das restrições no período, já que em 2022, essa proporção era de apenas 37% no Brasil e 34% na média da OCDE. Essa correlação é reforçada pelos dados: estudantes de escolas que proíbem celulares têm probabilidade cerca de 13% menor de relatar distrações causadas por dispositivos digitais, em média, nos países da organização.

Desempenho acadêmico: Brasil abaixo da média global

Apesar dos avanços tecnológicos e das tentativas de controlar as distrações, o Pisa 2025 revela que o desempenho dos estudantes brasileiros nas áreas-chave de avaliação ainda está significativamente abaixo da média da OCDE. Este é um dado crucial que exige reflexão sobre as metodologias de ensino, a formação de professores e a estrutura curricular.

Desempenho em ciências

No campo das ciências, apenas 48% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência. Isso contrasta fortemente com a média da OCDE, que registra 74%. No nível 2, os alunos são capazes de reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e avaliar a validade de conclusões baseadas em dados simples. A distância se amplia nos níveis mais altos: somente 1% dos brasileiros atingiu os níveis 5 ou 6 em ciências, enquanto a média da OCDE é de 7%. Nesses patamares, os estudantes demonstram a capacidade de aplicar criativamente seus conhecimentos científicos em situações complexas e não familiares.

Desempenho em matemática

A situação em matemática é ainda mais preocupante. Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência, muito abaixo dos 65% registrados na média da OCDE. Alcançar o nível 2 significa ser capaz de interpretar situações simples e representá-las matematicamente, como comparar distâncias ou converter preços. Nos níveis mais avançados (5 ou 6), onde os alunos conseguem modelar matematicamente situações complexas e avaliar diferentes estratégias de solução, a presença de estudantes brasileiros é praticamente nula, em contraste com a média de 8% na OCDE.

Desempenho em leitura

Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível 2 ou superior, comparado a 69% na média da OCDE. No nível 2, os alunos conseguem identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada. Esses resultados reiteram a necessidade de fortalecer as bases da alfabetização e da interpretação textual, competências fundamentais para todas as áreas do conhecimento e para a participação plena na sociedade.

Implicações do baixo desempenho educacional

Os dados do Pisa 2025 indicam que estudantes brasileiros demonstram proficiência significativamente inferior à média da OCDE nas três áreas avaliadas: ciências, matemática e leitura. Essa realidade é um reflexo complexo que envolve o Ministério da Educação, secretarias estaduais e municipais, escolas, professores e os próprios alunos. Diante disso, é essencial que haja uma urgente revisão curricular, com investimento em capacitação docente e a adoção de metodologias inovadoras que estimulem o aprendizado crítico e o desenvolvimento de habilidades essenciais para o século XXI. As implicações desse cenário são vastas, afetando o futuro profissional dos jovens e o desenvolvimento socioeconômico do país.

Navegando pelos dados do Pisa 2025: Implicações e o futuro da aprendizagem no Brasil

O panorama traçado pelo Pisa 2025 é um convite à ação. Os dados sobre o uso da inteligência artificial, a persistência do bullying (e o avanço do cyberbullying), o impacto das distrações digitais e, principalmente, o baixo desempenho acadêmico em comparação com padrões internacionais, exigem uma resposta articulada de toda a sociedade. A educação brasileira encontra-se em um ponto de inflexão, onde a integração da tecnologia precisa ser gerida de forma estratégica e os desafios sociais no ambiente escolar devem ser abordados com políticas eficazes. Para que o Brasil consiga reverter esse quadro e oferecer um futuro promissor aos seus estudantes, será necessário um esforço conjunto para implementar reformas educacionais profundas, investindo na qualidade do ensino, na formação contínua de educadores e na criação de ambientes de aprendizagem que fomentem a curiosidade, a criticidade e a resiliência.

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