O carro movido a hidrogênio, o JCB Hydromax, reescreveu a história da velocidade em terra ao atingir a impressionante marca de 653,91 km/h. O feito, realizado recentemente nas icônicas Bonneville Salt Flats, nos Estados Unidos, não apenas garantiu ao veículo o título de mais rápido de sua categoria, mas também o coroou como o automóvel de emissão zero mais veloz do planeta. A conquista superou recordes anteriores de carros a diesel e elétricos, em uma demonstração notável da engenharia britânica e do potencial do hidrogênio como combustível do futuro.
Este marco representa um avanço significativo para a tecnologia de hidrogênio, posicionando-a como uma alternativa viável e de alta performance no cenário automotivo global. A nova velocidade foi oficialmente reconhecida pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), atestando a validade e a relevância da quebra do recorde.
Detalhes da velocidade e reconhecimento oficial
O JCB Hydromax alcançou a média oficial de 653,91 km/h em duas passagens realizadas em sentidos opostos, uma prática padrão para homologação de recordes de velocidade em terra. Em uma das direções, o veículo registrou 644,74 km/h, enquanto na volta, impressionou ao atingir 663,27 km/h. A média dessas duas corridas estabeleceu o novo recorde mundial, demonstrando a consistência e a potência do projeto.
A confirmação da FIA eleva a proeza a um patamar global, validando a engenharia e a tecnologia empregadas. Poucos dias antes dessa marca histórica, o Hydromax já havia sinalizado seu potencial, registrando 592,797 km/h, mostrando uma progressão rápida e determinada em busca do limite.
O piloto lendário por trás dos recordes
Por trás do volante do JCB Hydromax estava o experiente Wing Commander Andy Green, um piloto aposentado da Força Aérea Real britânica (RAF). Green não é um novato em quebrar recordes. Ele é uma figura lendária no mundo da velocidade, detentor do recorde absoluto de velocidade em terra, alcançado a bordo do veículo movido a jato ThrustSSC, quando atingiu 1.227,99 km/h.
Além disso, Green é a única pessoa na história a quebrar a barreira do som em terra, consolidando sua reputação como um dos mais notáveis pilotos de velocidade de todos os tempos. Sua expertise e coragem foram cruciais para extrair o máximo desempenho do Hydromax, garantindo que o carro movido a hidrogênio atingisse seu potencial máximo.
Após as passagens recordistas, Green elogiou o desempenho do veículo, afirmando: “O carro foi excelente — estável, forte e rápido.” Ele destacou o privilégio de estabelecer um recorde mundial de velocidade com propulsão a hidrogênio, duas décadas depois de seu feito com o Dieselmax, sublinhando a importância da nova marca para a equipe e para a tecnologia envolvida, conforme declarado ao New Atlas.
Engenharia e tecnologia de ponta do Hydromax
O JCB Hydromax, um gigante de aproximadamente 9,75 metros de comprimento, utiliza tração nas quatro rodas, impulsionado por um sistema robusto de duas transmissões e embreagens. A propulsão é gerada por dois motores de combustão interna movidos a hidrogênio, desenvolvidos pela própria JCB.
Esses propulsores, fabricados na fábrica de motores da JCB em Foston, Derbyshire, na Inglaterra, são baseados nos mesmos tipos de motores utilizados nos equipamentos de construção da empresa. No entanto, para o Hydromax, eles receberam modificações substanciais, que permitiram que cada um entregasse 800 cavalos de potência, totalizando impressionantes 1.600 cv distribuídos para os dois eixos do veículo.
A tecnologia de combustão a hidrogênio da JCB faz parte de uma iniciativa de desenvolvimento de hidrogênio avaliada em £ 100 milhões (aproximadamente R$ 700,3 milhões). Segundo a empresa, a combustão do hidrogênio libera principalmente vapor d’água e uma pequena quantidade de óxidos de nitrogênio, caracterizando-o como uma alternativa de baixas emissões em comparação com motores a gasolina ou diesel tradicionais.
O que se sabe até agora sobre o recorde
O JCB Hydromax alcançou 653,91 km/h, estabelecendo um novo recorde mundial de velocidade em terra para um carro movido a hidrogênio. Este marco foi certificado pela FIA e demonstra o potencial da tecnologia de hidrogênio como uma solução de alta performance e baixa emissão. O veículo também se tornou o carro de emissão zero mais rápido do mundo, superando marcas anteriores de veículos elétricos.
Quem está envolvido na inovação
Os principais envolvidos são a JCB, fabricante do Hydromax e desenvolvedora dos motores a hidrogênio, e o piloto Wing Commander Andy Green, que conduziu o veículo ao recorde. A Força Aérea Real britânica (RAF) é a organização de origem de Green. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) foi responsável pela homologação e reconhecimento oficial do recorde alcançado.
Superando os limites: Diesel, elétricos e o futuro
A marca do Hydromax não apenas estabeleceu um novo padrão para veículos a hidrogênio, mas também superou o recorde anterior de velocidade para carros a diesel, que havia sido estabelecido no mesmo local, há 20 anos. Naquela ocasião, o recorde de 510 km/h foi obtido pelo JCB Dieselmax, também pilotado por Andy Green, evidenciando uma continuidade impressionante na busca por performance.
Além disso, a conquista colocou o Hydromax à frente do Buckeye Bullet 3, um veículo elétrico que detinha a marca de carro elétrico mais rápido do mundo, com uma média de 549,21 km/h, registrada em 2016. A margem considerável pela qual o carro movido a hidrogênio superou o veículo elétrico reforça o potencial do hidrogênio na corrida pela velocidade sustentável.
A JCB celebra este feito pouco antes da abertura de sua nova fábrica em San Antonio, no Texas (EUA), um investimento significativo de US$ 500 milhões (equivalente a cerca de R$ 2,6 bilhões). O presidente da JCB, Anthony Bamford, afirmou: “Há vinte anos, viemos a Bonneville com o JCB Dieselmax e mostramos o que a engenharia britânica poderia fazer com a potência do diesel. Hoje fizemos isso novamente — desta vez com motores movidos a hidrogênio.”
O que acontece a seguir com a tecnologia do hidrogênio
O sucesso do Hydromax sugere que os motores de combustão movidos a hidrogênio não são apenas projetos de pesquisa, mas alternativas viáveis para motores destinados à produção em massa. Este recorde pode impulsionar maior investimento e desenvolvimento na tecnologia, visando sua aplicação em veículos comerciais e equipamentos pesados, não se limitando apenas a veículos de alta velocidade.
O legado da velocidade sustentável: O impacto do hidrogênio no futuro
A notável performance do carro movido a hidrogênio JCB Hydromax nas Bonneville Salt Flats marca um ponto de virada na percepção da tecnologia do hidrogênio. Ao estabelecer um novo recorde mundial de velocidade em terra e superar seus antecessores a diesel e elétricos, o Hydromax não apenas demonstrou o extremo potencial do hidrogênio como combustível, mas também solidificou seu lugar na história da inovação automotiva.
Para Andy Green, Bonneville é a “casa espiritual do recorde mundial de velocidade em terra, e o JCB Hydromax acaba de escrever seu nome nessa história”. Essa conquista ressoa a confiança da JCB na tecnologia de hidrogênio, que está sendo aplicada desde equipamentos de construção até veículos de alta performance. O recorde serve como um catalisador, indicando que a propulsão a hidrogênio pode atingir níveis de eficiência e velocidade que, até então, eram vistos como exclusivos de combustíveis fósseis ou elétricos, abrindo caminho para um futuro com soluções de transporte mais limpas e igualmente potentes. O impacto dessa demonstração de força e sustentabilidade poderá ser sentido em diversos setores, transformando o cenário da mobilidade global.





