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70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: Deputado Guimarães destaca ser preciso avançar ainda mais no Brasil

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70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: Deputado Guimarães destaca ser preciso avançar ainda mais no Brasil
Deputado Guimarães ressalta ser preciso garantir os direitos humanos no Brasil principalmente por um governo de retrocessos de direitos que vem por aí [FOTO: Assessoria]

No dia em que o mundo celebra os 70 aos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – [baixe aqui], 10/12, o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) destaca que o Brasil, infelizmente, tem pouco a comemorar. Apesar dos avanços dos últimos anos, principalmente nos governos do PT, a retomada do poder pelo projeto ultraliberal, por meio de um golpe parlamentar, já tem retrocessos visíveis, como aumento da pobreza e da pobreza extrema e das desigualdades de renda.

E a perspectiva com o governo leito é ainda pior – promete reduzir ainda mais a oferta de serviços públicos, essenciais para a proteção das camadas mais pobres e vulneráveis.

Em seus 30 artigos, a declaração, assinada por todos os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), garante liberdade e igualdade em dignidade e direitos a todos os seres humanos. Dentre as garantias expressas no documento encontram-se, por exemplo, o direito à educação gratuita, à liberdade de reunião, o acesso à Justiça e à segurança, além da condenação de arbitrariedades, como a escravidão e a tortura.

Na base desses pressupostos, obviamente, está a equidade material, necessária para assegurar a vida, bem fundamental a ser protegido pela declaração. Os dados sobre renda e desigualdade divulgados semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não poderiam ser mais claros sobre o quanto o país está distante, e se afastando cada vez mais, de alcançar esse objetivo.

Em um ano somente, de 2016 para 2017, o Brasil passou a ter quase 2 milhões a mais de pessoas em situação de pobreza. Em 2016, ao fim do governo Dilma, 52,8 milhões de pessoas viviam na pobreza, número que aumentou para 54,8 milhões em 2017, o que representa 26,5% do total de brasileiros.

A pobreza extrema cresceu em patamar semelhante, o número de pessoas nessa condição saltou de 13,5 milhões para 15,3 milhões no período, 12% a mais. Não custa lembrar que nos quase 14 anos na condução do país, os governos do PT promoveram uma fantástica redução da pobreza de quase 70%.

Vive em extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o equivalente a cerca de R$ 140 por mês. Já a linha de pobreza é de rendimento inferior a US$ 5,5 por dia, o que corresponde a cerca de R$ 406 por mês.

E o pior, depois de anos de queda, devido principalmente ao crescimento econômico e aos programas de distribuição de renda, como Bolsa Família, criados ou ampliados nos governos petistas, a desigualdade também voltou a crescer. A pesquisa do IBGE mostra que o andar de cima (10% mais ricos) concentra 43,1% de toda a renda nacional, enquanto os 40% mais pobres têm de dividir apenas 12,3% do total.

E a diferença na distribuição de direitos, lamentavelmente, não se limita às desigualdades de renda, que já são, por si, demasiado brutais. Diferentes grupos sociais, como mulheres, negros, indígenas, LGBTs, experimentam cotidianamente a negação de direitos. E com o governo que se aproxima a perspectiva torna-se ainda pior, uma vez que o presidente eleito já declarou que a minorias devem se curvar às maiorias, ou serão esmagadas.

As mulheres ainda lutam diariamente por direitos básicos, como a garantia da própria vida. O Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo, 12 assassinatos por dia, de acordo com levantamento do site G1. Elas ainda ganham, em média, cerca de 70% da renda dos homens e representam apenas 10% dos parlamentares brasileiros. Como perspectiva, ainda mais retrocesso.

O próximo presidente já declarou que não pagaria o mesmo salário a homens e mulheres, porque elas engravidam. A futura ministra dos Direitos Humanos acredita que mulheres não deveriam trabalhar fora, mas ficar em casa e cuidar dos filhos, sua “vocação natural”.

Herdeira da escravidão, a população negra também vê perpetuada sua situação desfavorável em relação aos brancos. Quando se trata de renda, recebem na média 56% do que ganharia um banco na mesma função. Não por acaso, a pobreza no Brasil é quase inteiramente preta e parda, população que representa 75,2% das pessoas com menores rendimentos. Os negros também são as principais vítimas da violência policial e respondem pelo maior contingente da população carcerária.

Nos governos do PT, entre 2001 e 2011, ocorreu queda expressiva na desigualdade de rendimentos entre brancos e negros. A renda da população negra aumentou 41,6%, ante 18,9% na renda dos brancos.

Outro grande avanço dos governos petistas foi a adoção da política de cotas tanto para o acesso à educação superior e técnica como ao serviço público federais. Por meio das ações afirmativas no ensino superior, o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017.

Ainda assim, o número é inferior à metade da proporção de brancos que concluem uma graduação, 22%. Mas, para o presidente eleito as cotas raciais têm de acabar, porque apenas estimulam o “coitadismo” e “reforçam o preconceito”.

O presidente Lula também deu um passo significativo para o resgate da dívida histórica com os povos africanos ao criar, em 2010, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Atualmente, a instituição conta com cerca de 7 mil estudantes.

Quanto aos LGBTs, há anos lutam, por exemplo, por uma lei que criminalize a homofobia, sem sucesso. A partir de agora, a batalha, ao que parece, será ainda mais árdua. De acordo com o presidente eleito, “se o filho ficar maio gayzinho, leva um coro que muda o comportamento”. Isso em um país onde, em 2017, 445 pessoas nessa condição foram assassinadas, segundo o Grupo Gay da Bahia.

Falar do quanto ainda precisa ser feito para garantir o cumprimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos no Brasil demandaria teses e mais teses. Não pudemos sequer mencionar a usurpação cotidiana de direitos dos indígenas, nossos povos ancestrais, ou das violações diárias contra a população carcerária. E a promessa, como já foi dito, é que a situação se deteriore ainda mais com o “projeto” que ascende ao poder. Somente com a união de todas as forças progressistas, que defendem a democracia e acreditam em uma sociedade mais justa, será possível evitar perdas ainda maiores.

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